Nélson Veríssimo e o Benfica B: «Jogadores estão mais prontos, mas caminho não terminou»
Nélson Veríssimo, treinador da equipa B do Benfica, deu uma entrevista na qual faz o balanço da última temporada — as águias finalizaram o campeonato da Liga 2 no 10.º lugar da classificação, com 44 pontos somados.
O treinador fala, em declarações à BTV, de um «sentimento» de «dever cumprido» durante uma «caminhada difícil». «Tratou-se de um ano de reciclagem do plantel, marcado pela entrada de muita juventude, bem como pela ausência de experiência competitiva neste contexto», lembrou o técnico.
A competitividade da Liga 2 foi ponto que Veríssimo também sublinhou como desafio complicado. «Para se ter uma noção, foram necessários 41 pontos para garantir a manutenção, algo que só se tinha verificado em 2017/18.» A juventude e a inexperiência do plantel foram, porém, desafio ainda maior. «Jogar entre pares é uma coisa; jogar contra homens é completamente diferente», disse Nélson Verísismo, recordando conversas com jogadores como Banjaqui, Miguel Figueiredo e Gonçalo Moreira que ilustram a ideia: «Míster, eles chegam mais rápido e encostam mais forte…». O técnico elogiou a «enorme capacidade de aprendizagem» do grupo para se ajustar rapidamente, ao mesmo tempo que sentia a pressão de somar pontos, pois «tudo ganha outro sentido quando se consegue competir e vencer».
Nélson Veríssimo elegeu o empate (1-1) em Chaves, na primeira jornada, como um momento marcante: «O jogo contra um candidato à subida serviu para dissipar a desconfiança dos próprios jogadores sobre a sua capacidade de competir a este nível. O nosso papel enquanto treinadores foi prepará-los da melhor forma possível para que eles, naquelas questões em que não eram tão fortes – nomeadamente nos momentos da transição defensiva, dos duelos, da agressividade – conseguissem competir. Porque depois, com bola, o talento está lá.» Já o momento-chave terá sido, acredita o tyécnico, o empate com o União de Leiria (2-2) — a equipa encarnada estava em último lugar na tabela e a ««resposta fantástica» mudou as sensações, ainda para mais num jogo em que o Benfica B jogou com menos um jogador por expulsão, e num estádio com 10 mil adeptos nas bancadas. «Foi a partir daí que tivemos um crescimento mais sustentado, em termos individuais, coletivos, mas também sustentado nos pontos», lembrou.
«Sabíamos que o processo no início não ia ser fácil. Sabíamos que os jogadores iam necessariamente ter espaço para errar, para competir, para crescer, para evoluir», disse ainda Veríssimo, recordando que ao longo da época foram utilizados 39 jogadores, com 20 a fazerem a sua estreia na Liga 2.
LIGAÇÃO À EQUIPA A
Nélson Verísismo acredita que a comunicação com a equipa principal representou aspeto positivo na temporada, com a ligação no dia a dia a ser feita por João Tralhão, adjunto de José Mourinho. «É uma pessoa também com passado aqui na casa», lembra Veríssimo. A época foi classificada como a «mais desafiante» da carreira pelo treinador da equipa B, que sublinhou a renovação da geração de jogadores e a elevada competitividade da Liga 2. O técnico preferiu o termo «desafiante» a «difícil», explicando que o contexto exigiu uma «postura diferenciada» de toda a equipa técnica e do staf.
Um dos principais desafios foi a gestão do plantel devido ao elevado número de atletas envolvidos nas seleções nacionais e na Youth League. «Isso acabava por nos criar alguns constrangimentos na preparação para o jogo seguinte da Liga 2», admitiu. A articulação com a equipa principal, liderada por José Mourinho, foi um ponto fundamental. Veríssimo lembrou que Mourinho esteve «muito presente no dia a dia da Equipa B», acompanhando treinos, jogos e procurando informação sobre os jogadores. Esta ligação resultou na chamada de um «número considerável» de atletas da B para a equipa A, com vários a realizarem a sua estreia. «Isso também é sinónimo da qualidade dos jogadores, mas também do acreditar no trabalho que é feito», afirmou, considerando o balanço global «muito positivo».
Esta dinâmica funcionou numa «lógica de escadinha», estendendo-se aos Sub-23 e Sub-19. Quando a equipa A necessitava de jogadores, a equipa B cedia-os, compensando depois com atletas dos Sub-23, que por sua vez recorriam aos Sub-19. O objetivo primordial era garantir que, «face às necessidades da Equipa A, os jogadores cheguem lá nas melhores condições», explicou, nesta entrevista á BTV.
«Tenho de tirar o chapéu aos nossos jogadores pela capacidade de entendimento dos posicionamentos que nós queríamos, seja a atacar, seja a defender», elogiou. «O que nós sentimos da parte deles foi uma grande vontade em competir. Uma grande vontade, em momentos de dificuldade, de dar o passo em frente», sublinhou, concluindo que o «jogar à Benfica, que tanto se fala, esteve sempre representado nas 34 jornadas».
Questionado sobre o futuro e que jogadores se seguem, respondeur: «Acho que a seguir vêm todos. É difícil responder a essa pergunta. Há muita qualidade, há muito potencial.» «O sentimento que tenho é de crescimento, de evolução dos jogadores, de crescimento e evolução da equipa», afirmou, sublinhando que essa é a maior satisfação para um técnico. «Olhar para trás e perceber que, num campeonato tão competitivo como o desta época, (...) a capacidade de crescimento que eles tiveram foi notável».
«Há jogadores que cresceram e evoluíram muito», referiu, apontando a evolução de Banjaquil. No entanto, lembrou que se tratam de «jogadores jovens, com muito potencial», apesar de por vezes serem tratados e comparados a «homens». O treinador admitiu que nem todos os jogadores cresceram ao mesmo ritmo, atribuindo essa diferença à «ausência de mais regularidade competitiva». Ainda assim, o balanço geral é de que a equipa tem agora «jogadores mais preparados, mais prontos». «O caminho não está terminado», avisou, porém.