Estádio da Luz  — Foto: Sérgio Miguel Santos
Estádio da Luz — Foto: Sérgio Miguel Santos

Jogo à porta fechada: Benfica critica dualidade de critérios

Águias manifestam «profunda preocupação» face a «grave precedente» que castigo confirmado pela Relação de Lisboa «representa»

O Benfica reagiu, em comunicado, ao castigo de um jogo à porta fechada imposto pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) confirmado pelo Tribunal da Relação de Lisboa. As águias foram notificadas da «decisão definitiva» relativamente a processos que remontam à «utilização de artefactos pirotécnicos por parte de adeptos em cinco jogos disputados na época 2022/23».

O clube da Luz reiterou que «demonstrou, de forma reiterada e fundamentada, que, enquanto organizador dos eventos, adotou todas as medidas ao seu alcance para impedir a entrada e utilização de pirotecnia no recinto desportivo» e argumentou que «cumpriu integralmente os deveres que sobre si impendiam e que implementou todas as medidas razoavelmente exigíveis para prevenir este tipo de ocorrências».

«Estes argumentos, porém, não mereceram acolhimento nem por parte da APCVD nem das instâncias para as quais foi possível recorrer», lamentaram os encarnados. Esgotados «todos os meis de recurso legalmente disponíveis», as águias apontaram uma dualidade de critérios. O clube manifestou a «profunda preocupação» com o «grave precedente» que a decisão «representa» e que «contrasta com a ausência de idênticas consequências em situações semelhantes verificadas noutros estádios, envolvendo outros clubes e outros adeptos que não os do Benfica».

«A verdade é que, apesar de tudo o que temos assistido ao longo dos últimos anos, o Benfica é o único alvo da aplicação de uma sanção desta natureza, o que muito estranhamos», exaltaram, em comunicado.

O Benfica é o único alvo da aplicação de uma sanção desta natureza, o que muito estranhamos

As águias consideraram o castigo «injusto» e medida «manifestamente desproporcionada, que lesa o desporto, penaliza o Clube e prejudica dezenas de milhares de sócios e adeptos cumpridores, totalmente alheios aos comportamentos em causa».

O Benfica não revelou em que jogo é que irá cumprir castigo, mas deverá fazê-lo diante do Académico de Viseu, na primeira jornada da Liga, no fim de semana de 8 de agosto.

O Benfica garante que «continuará a desenvolver todos os esforços para impedir a utilização de pirotecnia no seu estádio e para garantir as mais elevadas condições de segurança nos eventos que organiza».

Comunicado completo do Benfica

«O Sport Lisboa e Benfica foi notificado da decisão definitiva da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), que determina a realização à porta fechada de um jogo oficial no seu estádio.Em causa, está a utilização de artefactos pirotécnicos por parte de adeptos em 5 jogos disputados na época 2022/23.Ao longo de todo este processo, o Sport Lisboa e Benfica demonstrou, de forma reiterada e fundamentada, que, enquanto organizador dos eventos, adotou todas as medidas ao seu alcance para impedir a entrada e utilização de pirotecnia no recinto desportivo.Fê-lo através de apertadas revistas nos acessos ao estádio, do reforço dos mecanismos de segurança e de sucessivos alertas dirigidos aos adeptos antes e durante os encontros.O Clube esgotou igualmente todos os meios de recurso legalmente disponíveis, sustentando sempre que cumpriu integralmente os deveres que sobre si impendiam e que implementou todas as medidas razoavelmente exigíveis para prevenir este tipo de ocorrências.Estes argumentos, porém, não mereceram acolhimento nem por parte da APCVD nem das instâncias para as quais foi possível recorrer.Em consequência desta decisão, milhares de Sócios e adeptos vão ser privados de apoiarem a equipa, penalizando-se um Clube que tudo fez para prevenir os factos que estiveram na origem deste processo.Interditar um estádio na sua totalidade é, para além de injusto na sua génese, uma medida manifestamente desproporcionada, que lesa o desporto, penaliza o Clube e prejudica dezenas de milhares de sócios e adeptos cumpridores, totalmente alheios aos comportamentos em causa.Se o objetivo é sancionar e prevenir, então a resposta deve ser dirigida aos setores efetivamente identificados, através da sua interdição ou da redução da respetiva lotação, à semelhança do critério seguido pela UEFA.O Sport Lisboa e Benfica manifesta ainda a sua profunda preocupação com o grave precedente que tal representa e que contrasta com a ausência de idênticas consequências em situações semelhantes verificadas noutros estádios, envolvendo outros clubes e outros adeptos que não os do Benfica.A verdade é que, apesar de tudo o que temos assistido ao longo dos últimos anos, o Sport Lisboa e Benfica é o único alvo da aplicação de uma sanção desta natureza, o que muito estranhamos.O Clube continuará a desenvolver todos os esforços para impedir a utilização de pirotecnia no seu estádio e para garantir as mais elevadas condições de segurança nos eventos que organiza.»

Notícia atualizada às 20h22

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