O Benfica não pode esperar mais
A decisão sobre o próximo treinador do Benfica está por dias — talvez horas —, mas a indefinição arrastou-se demasiado. Para os benfiquistas, este atraso expõe fragilidades numa fase decisiva do planeamento para 2026/27.
Percebe-se a complexidade do contexto, sobretudo com nomes como José Mourinho e clubes como o Real Madrid envolvidos. Ainda assim, o Benfica não podia permitir que a incerteza chegasse a este ponto. Seja Mourinho ou outro treinador, o essencial é decidir — e decidir bem — com um projeto claro que já deverá estar em marcha. O cenário agrava-se quando os principais rivais avançam no mercado de transferências, reforçando plantéis, enquanto o Benfica continua sem liderança técnica definida.
Haverá fatores internos desconhecidos, mas, nesta fase, o esclarecimento prometido por Rui Costa sobre a época passada perde relevância. O foco tem de estar totalmente na próxima temporada. É precisamente aí que os benfiquistas exigem trabalho concreto. Quem assumir o comando da equipa deve encontrar um projeto sólido, sem interferências externas — as mesmas que terão contribuído para as saídas, talvez precipitadas, de Bruno Lage e Roger Schmidt. Com responsabilidade dos treinadores, sim, mas não só.
Paradoxalmente, este momento de instabilidade pode ser uma oportunidade. Uma oportunidade para reavaliar o plantel, dar segundas oportunidades a quem merece e apostar em jogadores com ambição e fome de títulos. Pode também ser o timing ideal para integrar jovens da formação preparados para competir ao mais alto nível.
Talvez seja necessário ajustar expectativas e privilegiar a construção de uma equipa consistente, em vez de uma equipa de nomes. Há qualidade no plantel do Benfica, mas também lacunas evidentes. Ainda assim, o maior risco seria iniciar 2026/27 sob o mesmo clima de dúvida. Mais do que talento individual, o Benfica precisa de recuperar identidade, mentalidade e consistência competitiva. Resta saber se o clube — e os benfiquistas — saberão transformar a incerteza numa oportunidade.
Obrigado, Florentino Pérez e Bernardo Silva
Termino com dois agradecimentos, ainda que tardios: a Florentino Pérez e a Bernardo Silva. Obrigado ao presidente do Real Madrid por quase nunca falar em público, como se conclui pela imagem sexista que deixou na recente conferência que fez para se vitimizar e anunciar eleições antecipadas. E obrigado ao internacional português, estrela mundial, pela lição que deixou numa entrevista recente — «Não, não volto ao Benfica este verão»; «Sim, fui contactado para saberem da disponibilidade»; «Sim, fui eu que recusei voltar agora». Mas alguém fica mal nesta fotografia? Não me parece. Tudo claro e sem pontas soltas. Na comunicação muitas vezes é como no futebol: bom e difícil é jogar simples.