FC Porto pede a punição de Luis Suárez (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

«Não me parece que Suárez seja punido severamente»

João Caiado Guerreiro, especialista em direito desportivo, explica e dá a sua visão sobre o caso do momento

O gesto de Luis Suárez no tempo de compensação da primeira parte do clássico entre Sporting e FC Porto, quando com as mãos fez um gesto de roubo dirigido a uma das câmaras da transmissão televisiva, é, sem dúvida, o assunto do momento, pois os dragões vão apresentar queixa ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol para que seja analisado. O gesto do avançado colombiano enquadra-se no artigo 153.º do Regulamento Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol, uma vez que o encontro foi da Taça de Portugal.

A BOLA falou com João Caiado Guerreiro, colunista do nosso jornal e especialista em direito desportivo, que começou por explicar que o facto deste episódio não constar do relatório do árbitro Cláudio Pereira é de somenos, pois «a UEFA já alterou a legislação há algum tempo e as imagens são consideradas provas».

João Caiado Guerreiro é especialista em direito desportivo

Assim, o gesto será analisado a partir do momento em que o Conselho de Disciplina abra um inquérito ou um processo disciplinar a Suárez e seguirá a sua «tramitação normal», com o jogador a ser ouvido. No entanto, segundo João Caiado Guerreiro, embora ressalve que não conhece a jurisprudência neste tipo de situações, dá a sua opinião. «O quadro jurídico no Regulamento de Disciplina da FPF, que é muito semelhante ao da Liga, prevê uma suspensão para o prevaricador entre dois a oito jogos de suspensão. No entanto, sinceramente, neste artigo que se refere a 'Ameaças e ofensas à honra, consideração ou dignidade' não me parece que o gesto de roubo seja dos mais graves, até porque nem sequer é dirigido ao árbitro. Desta forma, penso que neste caso existem algumas atenuantes, pelo que não me parece que o Suárez seja severamente punido», adiantou.

E foi um pouco mais longe na sua análise: «Por exemplo, julgo que o gesto com conotação sexual do Vinícius Jr. é muito mais grave e a UEFA não o devia ter relativizado só por causa daquele episódio de alegado racismo.»