Sorriso e Zé Carlos na expressão plena do Famalicão-Gil Vicente: entrega sem inspiração — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Sorriso e Zé Carlos na expressão plena do Famalicão-Gil Vicente: entrega sem inspiração — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Uma coisa é ser intenso, outra é ter pouco interesse (crónica)

Equipas encaixaram taticamente e raros foram os rasgos individuais. Remates de meia distância foi do melhor que se viu. Fama sem ganhar, Gil sem perder

Pedia-se mais. Porque as duas equipas têm artistas para (muito) mais. E porque ambos os treinadores, ainda que de gerações (bem) distintas já deram provas de que são adeptos do futebol rendilhado e com boas doses de nota artística — Carlos Carvalhal, de 60 anos, tem um currículo que fala por si e já levou para casa uma Taça da Liga (2007/2008), ao serviço do Vitória de Setúbal, e uma Taça de Portugal (2020/2021), pelo SC Braga, ao passo que Luís Pinto, de 37 anos, venceu uma Liga 2 (2024/2025), pelo Tondela, e uma Allianz Cup (2025/2026), quando orientava o Vitória de Guimarães.

As intenções podia (deviam, com grande dose de certeza), mas a verdade é que a inspiração não entrou dentro das quatro linhas. A intensidade de um dérbi minhoto esteve muitas vezes bem presente, mas os rasgos de magia ficaram para outras núpcias.

O Famalicão, muito provavelmente espicaçado pela vontade de querer chegar à primeira vitória no campeonato, depois de um empate e duas derrotas, foi a equipa que assumiu a responsabilidade durante a maior parte do tempo, foi dos azuis e brancos (ontem só de branco e, curiosamente, os barcelenses todos de... azul), mas à falta de soluções no último terço houve tendência para a meia distância. Mathias de Amorim (8'), Rodrigo Pinheiro (11') e Marcos Peña (39') — que bomba do médio espanhol (que surgiu no onze titular à última hora, em virtude da lesão de Tom van de Looi, durante o período de aquecimento) a obrigar Lucão a voar para uma excelente intervenção —tentaram, mas terão de ir a uma loja da especialidade calibrar a mira...

O Gil Vicente, por seu turno, aceitou a tendência e demonstrou a habitual coesão defensiva (terceiro jogo no campeonato e golos sofridos... zero!), tentando, aqui e ali, espreitar as transições. Tal como fez, de resto, Joelson Fernandes, aos 27 minutos, naquele que foi o único remate enquadrado dos gilistas em toda a primeira parte.

Os treinadores foram tentando empurrar as suas equipas para a frente na etapa complementar — honra seja feita a Carvalhal e a Pinto, que foram aos respetivos bancos buscar armas de ataque para tentarem algo mais do desafio —, mas quem chegou de novo ao relvado do Municipal também não levou a qualidade que se desejava. E nesse período houve largos bocejos nas bancadas... Sorriso desenhou o arco (63'), por cima da barra, Mohamed Kaba viu a felicidade rasar o poste (82').

Feliz ninguém terá ficado, mas o Gil Vicente terá saído bem mais satisfeito do que o Famalicão.

O melhor em campo: Diogo Prioste (Gil Vicente)

O farol do meio-campo gilista. Sempre disponível para os duelos individuais, ganhando a larga maioria, nunca perdendo de vista as dobras à retaguarda, sempre que necessário. Em posse, demonstrou clarividência e qualidade de passe para dar início à primeira fase de construção, pese embora os lances de ataque dos galos tenham sido mais vezes em transição do que em ataque continuado.

A figura: Marcos Peña (Famalicão)

O farol do meio-campo gilista. Sempre disponível para os duelos individuais, ganhando a larga maioria, nunca perdendo de vista as dobras à retaguarda, sempre que necessário. Em posse, demonstrou clarividência e qualidade de passe para dar início à primeira fase de construção, pese embora os lances de ataque dos galos tenham sido mais vezes em transição do que em ataque continuado.

As notas dos jogadores do Famalicão:

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

Carlos Carvalhal (treinador do Famalicão):

Foi o nosso melhor jogo, demos um passo à frente. Espero que seja um ponto de partida para que a equipa consiga melhorar. Houve muita vontade de ganhar, faltou alguma clarividência. Não sofrer golos pela primeira vez também foi importante.

Luís Pinto (treinador do Gil Vicente):

Foi um jogo muito fechado com muito respeito entre as duas equipas. O Famalicão foi melhor na primeira parte, nós subimos de produção depois do intervalo e tivemos mais meio-campo ofensivo. É mais um ponto somado e penso que foi justo.

Notícia atualizada às 23h15 com as notas dos jogadores e as declarações dos treinadores

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