Gasolina madeirense insuficiente para os bólides da Amadora (crónica)
O Nacional entrou com o depósito atestado e em força, com Gasolina que depois se revelou insuficiente para travar a corrida dos bólides da Amadora. O lateral colocou os madeirenses em vantagem logo aos três minutos, viu o adversário colar-se nos descontos da primeira parte num despiste defensivo que causou uma grande penalidade que Stoica não desperdiçou, e deixou depois espaço aberto para a ultrapassagem dos aceleras tricolores nos outros dois golos, apontados por Marcus e Antonetti. Entre esses dois momentos, Pablo Ruan ainda conseguiu encostar os madeirenses no resultado.
O Nacional averbou a segunda derrota consecutiva e o Estrela da Amadora venceu pela primeira vez na Liga 2026/27, o que valeu também a ultrapassagem ao adversário da Madeira na tabela classificativa. O salto da formação orientada por Pepa pode ainda ser maior, caso vença o SC Braga no jogo em atraso da 3.ª jornada.
Kokolo cruzou na esquerda e Wesley Gasolina cabeceou no lado contrário para abriu a contagem. Um golo repentino que surpreendeu o Estrela da Amadora, com os madeirenses a controlarem esse avanço de forma segura, e os visitantes a denotarem muitas dificuldades a nível ofensivo.
Contudo, aos 23’ Antonetti falhou de cabeça, mas deu o mote na vontade da sua equipa que, paulatinamente, foi-se chegando à frente e ameaçando, como sucedeu em tiros de Marcus e Robinho, chegando ao empate ao cair do pano da primeira parte, quando Carlos Macedo assinalou empurrão de Zé Vitor a Robinho na área, com Stoica a não tremer na marcação da grande penalidade.
Porém, a história até poderia ter sido diferente, e o Estrela bem pode agradecer ao seu guarda-redes Léo Linck, que efetuou uma defesa monstruosa momentos antes, a evitar que um pontapé de moinho de Pablo Ruan aumentasse a vantagem madeirense.
Revigorado após o descanso, o Estrela acelerou para o triunfo e deu a cambalhota por Marcus, que abalou sem oposição na autoestrada que se abriu em direção à baliza de Marín.
O Nacional reagiu de forma rápida por Pablo Ruan, que ganhou as costas a Luan Patrick para empatar. Porém, perto do final, Doue foi à linha de fundo cruzar para a área, onde surgiu em velocidade vertiginosa Antonetti, deixando pregados os opositores para finalizar de cabeça e dar os três pontos à sua equipa.
Foi, pois, em verdadeira aceleração, que os bólides da Amadora, Marcus e Antonetti, conduziram o Estrela da Amadora para o primeiro triunfo na Liga.
Bem diferente, para melhor, está o extremo dos madeirenses. Mais agressivo, sem nunca virar a cara à luta, o brasileiro está mais participativo, incisivo e assumindo com convicção as ações ofensivas da equipa no lado esquerdo. Com essa atitude mais proativa também foi útil no momento defensivo da equipa, surgindo amiúde junto da sua área, em ajuda a Kokolo, que apanhou com Marcus pela frente.
As notas dos jogadores do Nacional (3x4x3): Renato Marin (5), Léo Santos (5), Matheus Dias (5), Zé Vítor (5), Wesley Gasolina (6), Igor Liziero (6), Filipe Soares (5), Kokolo (6), Miguel Baeza (5), Pablo Ruan (6), Daniel Júnior (6), Matchoi Djaló (5), Obando (5), Gavriel Stavros (5), Daniel de la Cruz (-) e Markus Jensen (-).
Terceiro jogo consecutivo do ponta-de-lança brasileiro a molhar a sopa! Marcou diante do Sporting e Alverca, nos empates a dois golos em ambos os jogos e agora decidiu na Madeira, finalizando perto do final na segunda oportunidade que teve para visar a baliza, depois de na primeira metade ter errado o alvo num cabeceamento. Confiante e a jogar com regularidade, dá mostras de ser um matador.
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora(4x3x3): Léo Linck (6), Scholze (5), Luan Patrick (5), Lekovic (5), Rafa Soares (6), Zvonarek (5), Doue (6), Robinho (6), Marcus (7), Antonetti (7), Stoica (6), Joan Jordán (5), Beni Souza (5) e Schappo (-).
João Gião, treinador do Nacional
«Entrámos bem e sem razão aparente ficámos um bocado intranquilos. Nos 15/20 minutos a seguir perdemos bolas fáceis, o Estrela sem a capacidade para importunar a nossa primeira fase de construção e nós a querer acelerar o jogo quando não havia espaço nas costas. Depois equilibrámo-nos e no último minuto da 1.ª parte sai um penálti e o Estrela empata sem que tivesse criado grandes oportunidades e nós tivemos uma do Pablo [Ruan], com grande defesa do guarda-redes. A 2.ª parte foi muito dividida, tivemos de assumir o jogo e conseguimos chegar ao último terço com alguma facilidade, mas a não conseguir criar muito perigo. O Estrela em campo aberto tem muitos homens fortes na frente e em transição e definem muito bem e duas perdas de bola nossa, acabam por dar dois golos.»
Pepa, treinador do Estrela da Amadora
«A entrada não podia ser pior, mas mais do que o golo sofrido, a dinâmica do Nacional na faz e de construção estava a causar-nos muitas dificuldades nos primeiros 15/20 minutos. Ajustamos, baixando um pouco, mas ficamos mais juntos e pressionantes nas zonas de pressão e a equipa cresceu defensivamente sem bola, e obrigou o Nacional a esticar mais o jogo e tínhamos a largura controlada. E com bola fiquei satisfeito. Uma equipa com personalidade, a ter bola e a não ter medo de jogar no meio-campo adversário. Na 2.ª parte não houve grandes oportunidades do Nacional, apenas alguns remates exteriores.»