Primeira vitória do Moreirense na Liga escreveu-se com apenas uma letra (crónica)
A sorte e a genialidade encontraram-se em Rio Maior e decidiram o vencedor da receção do Casa Pia ao Moreirense (0-1). Os gansos, guiados pelo desejo (e pela necessidade) de marcar e pontuar pela primeira vez na Liga dominaram a partida, mas os cónegos saíram das cordas com um candidato ao prémio Puskás no bolso esquerdo.
Os homens de Filipe Coelho monopolizaram a posse de bola desde o primeiro minuto, mas a ansiedade de marcar o primeiro golo na Liga refletiu-se na falta de critério na tomada de decisão. A alta capacidade de recuperar e circular a bola contrastava com o nervosismo na hora de efetuar o último passe ou visar a baliza de André Ferreira.
O Moreirense, sem capacidade de circular a bola durante longos períodos de tempo, e apostou num jogo mais físico e direto Parsemain. O avançado dos cónegos apresentou grandes recursos a segurar a bola, que Nile John aproveitou para ganhar espaço, rematar com força e obrigar André Gomes a uma defesa apertada (6')
Ficou o aviso para gansos mais dominantes, mas pouco criteriosos. As constantes escorregadelas no relvado eram a metáfora perfeita para o equilíbrio da equipa neste início de época. Rochinha e João Rego, ambos mais por dentro, pegaram nas batutas, mas a orquestra desafinou.
O n.º 10 do Casa Pia esteve mais perto do canto do cisne aos 14', com um remate difícil no coração da área, que penteou a baliza de André Ferreira. João Rego, em estreia pelo clube, também apresentou pormenores técnicos interessantes que fizeram a equipa progredir no terreno. A fisicalidade dos adversários, ainda assim, deixou o criativo emprestado pelo Benfica no relvado em inúmeras ocasiões.
O Moreirense estava imperial nos duelos e empenhado em criar uma tendência: cada vez que pisava o último terço do adversário criava perigo através de transições rápidas. E de que maneira. Parsemain recolheu um passe longo, lançou Landerson na corrida e este atrasou para Francisco Domingues.
O cruzamento do lateral esquerdo foi intercetado, mas João Veloso, em esforço, deu o pincel para a Francisco Domingues pintar uma obra de arte. O lateral esquerdo do Moreirense aproximou-se da bola e, qual mágico que tem o controlo do auditório, surpreendeu tudo e todos com um golpe de letra que sobrevoou André Gomes.
A letra cónega começou a escrever a primeira vitória na Liga. Em sentido contrário, o golo potenciou a ansiedade do ganso, que podia ter pagado caro até ao intervalo. Valeram André Gomes, ao negar um golpe matreiro de Liberato (33'), e André Geraldes, que não deixou Parsemain respirar num lance de golo iminente (45+2').
O ponta de lança dos cónegos falhou de forma incrível o desvio após a única jogada desenhada pelo corredor direito ofensivo ao longo da partida.
Filipe Coelho trocou o perfume de Rochinha pela verticalidade de Dafé, mas os gansos teimavam em não materializar a vontade e o domínio da posse de bola em ocasiões de perigo. Até ao pontapé na apatia de Jatta.
O avançado gambiano, mais vítima do que culpado da desinpiração na hora h, desmarcou-se, conectou-se a um cruzamento perfeito no corredor esquerdo... e acertou com estrondo na trave, aos 59'. O remate de Jatta rompeu dezenas de minutos em que o desespero dos gansos esbarrou na segurança dos cónegos.
Filipe Coelho e Vasco Botelho da Costa, com objetivos bem diferentes tendo em conta o resultado, procuraram mexer nas respetivas equipas. O Moreirense só quis que tal acontecesse após um lance de bola parada a favor do Casa Pia e precipitou um momento caricato.
Os cónegos quiseram adiar as mexidas, Francisco Domingues, que já tinha cartão amarelo, recusou sair numa primeira instância... e mais uns minutos correram com a bola parada. O Casa Pia até reagiu da melhor maneira à retoma da partida à boleia de duas cartadas que saíram do banco de suplentes.
Pauwels encontrou Henrique Araújo que já estava a pensar no festejo do primeiro golo dos gansos na Liga quando a bola bateu cruelmente no poste (78'). O azar potenciava o desespero no relvado e nas bancadas, pouco habitual para o final de agosto.
O Moreirense colocou trancas à porta para os dez minutos finais, mas ainda transpirou com dois remates perigosos de Ofori antes de respirar de alívio. A resistência axadrezada saiu de Rio Maior com os primeiros três pontos da temporada, com uma obra de arte no bolso. A sorte não esteve do lado do aflito Casa Pia, que, ainda assim, demonstrou bons argumentos... até à hora de rematar.
A linha defensiva dos cónegos colecionou boas exibições, mas era impossível destacar outro que não o marcador do único golo da partida. O gesto técnico fenomenal precipitou uma autência obra de arte em forma de letra, plena de intenção. Que golpe de génio! Defensivamente, controlou bem a largura e deu poucas hipóteses ao corredor direito ofensivo do Casa Pia
Jogou a titular pela primeira vez esta temporada e não desiludiu. O lateral esquerdo deu bastantes soluções ofensivas, tanto por dentro como por fora. Podia ter terminado a partida com duas assistências, mas Rochinha atirou por cima (14'), na primeira parte, e Jatta (59') acertou na trave, na segunda, após cruzamentos deliciosos. Defensivamente, única desatenção mais evidente teve lugar em cima do intervalo, quando deixou o corredor livre para Dinis Pinto e Manuel Mendonça
André Gomes (5); André Geraldes (5), João Goulart (5), David Sousa (4) e Pedro Rosas (6); Ofori (6), Selvi Clua (5) e João Rego (5); Rochinha (5), Jatta (5) e Kevin Prieto (4). Dafé (5), Cassiano (5), Pauwels (5), Henrique Araújo (5) e Seba Pérez (5)
André Ferreira (5); Dinis Pinto (6), Maracás (6), Gilberto Batista (6) e Francisco Domingues (7); Nile John (6) e Liberato (7); Landerson (5), João Veloso (5) e Manuel Mendonça (4); Parsemain (6). Tiago Andrade (6), Rodrigo Alonso (5), Leandro Santos (5), Stjepanovic (-), Kevyn (-)