«Alguns assobios não fazem mal a ninguém, ajudam a crescer»
José Mourinho analisou a vitória expressiva do Real Madrid sobre a Real Sociedad por 4-1, no primeiro jogo no regresso ao Santiago Bernabéu, onde desvalorizou os assobios dos adeptos e elogiou a exibição da sua equipa, com destaque para Kylian Mbappé.
Mourinho falou de como foi regressar ao banco no estádio, algo que já tinha abordado na antevisão: «Não, para um primeiro jogo no Bernabéu, estava tranquilo. Já não sou muito dado a ficar demasiado nervoso ou tenso antes dos jogos; já foram tantos. Gostei mesmo muito, obviamente, mas não gosto que gritem o meu nome. A última vez que vim cá com o Benfica, acabei por ver o jogo a partir da garagem [em fevereiro, estava castigado e ficou no autocarro a ver o jogo]. Hoje é a primeira vez que estou no novo Bernabéu.»
O treinador português reconheceu as dificuldades sentidas na primeira parte, afirmando que a Real Sociedad é «uma equipa muito boa» que os apanhou «de surpresa». Mourinho admitiu que gostaria de ter tido uma pausa para hidratação por volta dos 20 ou 25 minutos para poder dar indicações. «A primeira parte foi complicada. Eles, sem criarem muito, empataram. Estavam muito bem posicionados», explicou. No entanto, o técnico elogiou a reação da equipa: «Mantivemos a tranquilidade e a segunda parte foi muito, muito, muito forte».
Sobre os assobios ouvidos no Bernabéu durante a primeira parte, Mourinho mostrou-se compreensivo. «Já conhecemos o Bernabéu. E ainda bem que é assim. É consequência da sua história», comentou. «As pessoas assobiavam porque querem ver o Madrid a esmagar, esmagar e esmagar. Mas a equipa esteve tranquila. Alguns assobios não fazem mal a ninguém, ajudam a crescer».
Apesar de dizer não gosta de falar individualmente, Mourinho abriu uma exceção para Kylian Mbappé, que marcou três golos. «O que o Kylian fez... é de loucos», afirmou, descrevendo-o como um jogador com «capacidade goleadora, de criação» e que, nos momentos de maior dificuldade, «é capaz de baixar e ligar com o Vini e o Jude e fazer a equipa ganhar metros». Ainda assim, fez questão de sublinhar a força do coletivo: «Obviamente que ele fez um jogo incrível, mas a equipa foi sempre uma equipa».
Questionado sobre uma comparação com Cristiano, Mourinho foi claro: «Não gosto de comparar, mas este tipo é incrível. O que ele faz, a sua fome... Se serão 60, 50 ou 40 golos, não posso dizer. Prefiro 40 golos com títulos do que 60 sem títulos. Prefiro 40 com muito trabalho e dedicação pela equipa do que 60 a pensar apenas em si próprio, como muitas vezes acontece com os avançados.»
O treinador explicou ainda a substituição de Vinícius Júnior aos 84, com um objetivo claro - receber o calor dos adeptos, tendo-lhe dito «ouve os fãs» quando o cumprimentou à saída: «Falamos a mesma língua, por isso é mais fácil, não é? Até para brincar é mais fácil. Nunca teria tirado o Vinícius sem o golo e sem a sensação positiva de estar a jogar bem na segunda parte — nunca o teria substituído. Fiz a alteração porque também precisa de descansar um pouco; temos um jogo daqui a três dias. E achei que seria bom para ele sair do campo a sentir o carinho dos adeptos, especialmente porque, na época passada, por vezes ouviu alguns assobios.»
"VINI, ¿OYES LOS APLAUSOS?"
— Pablo Giralt (@giraltpablo) August 26, 2026
De Mourinho para Vinícius. pic.twitter.com/pC8jDKroK3