Tiro indefensável do camisola 17 deu mais três pontos ao emblema de Vila Nova - Foto: Estela Silva/LUSA
Tiro indefensável do camisola 17 deu mais três pontos ao emblema de Vila Nova - Foto: Estela Silva/LUSA

Não dá para 'Rodrigo(s)'? Dá para a bomba de Pinheiro (crónica)

Carevic e Arruabarrena brilharam num duelo extremamente interessante. Lateral-direito dos azuis e brancos inspirou-se e selou o quarto triunfo consecutivo dos famalicenses em casa. Lobos têm futebol para mais...

Era o que faltava um jogo destes terminar sem golos. Fossem quantos fossem e a favor de qualquer uma das equipas. Porque o duelo entre Famalicão e Arouca foi quase tudo aquilo que se quer: intenso, rico taticamente, com duas equipas que dispensaram as amarras e que deram mais uma prova dos excelentes trabalhos que têm vindo a ser realizados por Hugo Oliveira e Vasco Seabra. E quando assim é, independentemente do resultado final, ganha... o futebol. Desta feita foram mais felizes os famalicenses, da próxima serão os arouquenses. Porque quem apresenta uma ideia tão positiva está sempre mais perto de ganhar. E os lobos, neste caso derrotados, serão vencedores amanhã. Há identidade, há metodologia, há uma equipa. Nem sempre a bola entra, mas quem apresenta um processo tão consistente... vai lá chegar. É dos livros.

E quando Bas Kuipers (4') e Taichi Fukui (5') — que tiro do jovem médio japonês, do meio-campo (!), que levou a bola a tirar tinta à barra da baliza contrária — deram os primeiros uivos, percebeu-se que os lobos estavam para atacar. O que, a julgar pela caminhada até agora percorrida, não foi nada de estranhar. Mas do outro lado também estava um oponente extraordinariamente bem trabalho, cujo percurso tem laivos de excelência.

Gil Dias  (9') e Simon Elisor (16') testaram Arruabarrena (9'), e, pelo meio, Djouahra chamou Carevic. Antoine Joujou também quis marcar (19') e Iván Barbero... marcou mesmo (23'). Porém, Lee Hyunju, que assistira, estava em fora de jogo (23').

A etapa complementar não deslustrou, mas neste período o Famalicão conseguiu pressionar mais e melhor e foi empurrando o Arouca para trás. As oportunidades sucediam-se, mas de Montenegro e do Uruguai surgiam dois candidatos a herói: Carevic e Arruabarrena. Os dois guarda-redes foram travando tudo o que lhes aparecia pela frente, em alguns casos com intervenções de elevado grau de espetacularidade, até que, depois dos rodriguinhos... chegou uma bomba!

Rodrigo Pinheiro agradeceu o corte de Jose Fontán, após cruzamento de Gustavo Sá, e, de fora da área, sem deixar a bola bater, atirou sem hipótese de defesa para o número 12 dos forasteiros. Golaço do antigo internacional sub-21 português a selar o quarto triunfo consecutivo dos minhotos em casa.

O Famalicão continua a sonhar com a Europa, o Arouca, a jogar assim, vai conseguir garantir a permanência na elite nacional.

O melhor em campo: Rodrigo Pinheiro (Famalicão)
A regularidade do camisola 17 é conhecida por todos aqueles que têm vindo a acompanhar o seu trajeto, bem como a sua competência defensiva e apetência atacante. Bate-se contra qualquer adversário como se do último lance da carreira se tratasse e depois não pede licença para subir no terreno. Já tinha tentado a sua sorte aos 35 minutos, foi feliz (e de que maneira!) já perto do fim. Que tiro!
A figura: Arruabarrena (Arouca)
Se os lobos tivessem levado um ponto para a Serra da Freita, muito o ficariam a dever ao uruguaio. O camisola 12 teve (mais) uma noite particularmente inspirada e realizou um punhado de intervenções que iam mantendo o nulo. Dos vários lances em que brilhou intensamente, destaque para as intervenções superlativas aos remates de Roméo Beney (72'), Umar Abubakar (73') e Léo Realpe (90+4'). Que paradas!

As notas dos jogadores do Famalicão:

As notas dos jogadores do Arouca:

Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):

Mesmo na primeira parte fomos melhores, diante de um bom adversário, muito organizado. Tenho que dizer que tenho muito orgulho nos rapazes com que trabalho. Vitória sai da competência tática e, sobretudo, do trabalho dos jogadores.

Vasco Seabra (treinador do Arouca):

Defrontámos um bom adversário, Estivemos melhor com bola na primeira parte. mas faltou-nos mais definição. Depois, o Famalicão subiu as linhas, ficou ligeiramente por cima, e acabou por marcar. É frustrante não levarmos pontos.

Notícia atualizada às 23h26