Não dá para 'Rodrigo(s)'? Dá para a bomba de Pinheiro (crónica)
Era o que faltava um jogo destes terminar sem golos. Fossem quantos fossem e a favor de qualquer uma das equipas. Porque o duelo entre Famalicão e Arouca foi quase tudo aquilo que se quer: intenso, rico taticamente, com duas equipas que dispensaram as amarras e que deram mais uma prova dos excelentes trabalhos que têm vindo a ser realizados por Hugo Oliveira e Vasco Seabra. E quando assim é, independentemente do resultado final, ganha... o futebol. Desta feita foram mais felizes os famalicenses, da próxima serão os arouquenses. Porque quem apresenta uma ideia tão positiva está sempre mais perto de ganhar. E os lobos, neste caso derrotados, serão vencedores amanhã. Há identidade, há metodologia, há uma equipa. Nem sempre a bola entra, mas quem apresenta um processo tão consistente... vai lá chegar. É dos livros.
E quando Bas Kuipers (4') e Taichi Fukui (5') — que tiro do jovem médio japonês, do meio-campo (!), que levou a bola a tirar tinta à barra da baliza contrária — deram os primeiros uivos, percebeu-se que os lobos estavam para atacar. O que, a julgar pela caminhada até agora percorrida, não foi nada de estranhar. Mas do outro lado também estava um oponente extraordinariamente bem trabalho, cujo percurso tem laivos de excelência.
Gil Dias (9') e Simon Elisor (16') testaram Arruabarrena (9'), e, pelo meio, Djouahra chamou Carevic. Antoine Joujou também quis marcar (19') e Iván Barbero... marcou mesmo (23'). Porém, Lee Hyunju, que assistira, estava em fora de jogo (23').
A etapa complementar não deslustrou, mas neste período o Famalicão conseguiu pressionar mais e melhor e foi empurrando o Arouca para trás. As oportunidades sucediam-se, mas de Montenegro e do Uruguai surgiam dois candidatos a herói: Carevic e Arruabarrena. Os dois guarda-redes foram travando tudo o que lhes aparecia pela frente, em alguns casos com intervenções de elevado grau de espetacularidade, até que, depois dos rodriguinhos... chegou uma bomba!
Rodrigo Pinheiro agradeceu o corte de Jose Fontán, após cruzamento de Gustavo Sá, e, de fora da área, sem deixar a bola bater, atirou sem hipótese de defesa para o número 12 dos forasteiros. Golaço do antigo internacional sub-21 português a selar o quarto triunfo consecutivo dos minhotos em casa.
O Famalicão continua a sonhar com a Europa, o Arouca, a jogar assim, vai conseguir garantir a permanência na elite nacional.
As notas dos jogadores do Famalicão:
Lazar Carevic (7), Rodrigo Pinheiro (8), Ibrahima Ba (6), Justin de Haas (6), Rafa Soares (6), Marcos Peña (5), Mathias de Amorim (6), Gil Dias (6), Gustavo Sá (7), Antoine Joujou (6), Simon Elisor (5), Umar Abubakar (6), Romeo Beney (6), Pedro Santos (5) e Léo Realpe (5).
As notas dos jogadores do Arouca:
Arruabarrena (7), Diogo Monteiro (6), Boris Popovic (6), Jose Fontán (6), Bas Kuipers (6), Espen van Ee (6), Taichi Fukui (7), Alfonso Trezza (5), Lee Hyunju (6), Nais Djouahra (6), Iván Barbero (5), Dylan Nandín (5), Pablo Gozálbez (5), Miguel Puche (-), José Silva (-) e Amadou Dante (-).
Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):
Mesmo na primeira parte fomos melhores, diante de um bom adversário, muito organizado. Tenho que dizer que tenho muito orgulho nos rapazes com que trabalho. Vitória sai da competência tática e, sobretudo, do trabalho dos jogadores.
Vasco Seabra (treinador do Arouca):
Defrontámos um bom adversário, Estivemos melhor com bola na primeira parte. mas faltou-nos mais definição. Depois, o Famalicão subiu as linhas, ficou ligeiramente por cima, e acabou por marcar. É frustrante não levarmos pontos.
Notícia atualizada às 23h26