Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026
Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026 - Foto: IMAGO

Mundial... à venda: o plano controverso de Infantino para lucrar milhões

Presidente da FIFA está a planear vender participações no Campeonato do Mundo a investidores privados, segundo o The Times

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, está a planear vender participações no Campeonato do Mundo a investidores privados, um esquema que, segundo o The Times, lhe poderá render dezenas de milhões de euros.

O plano prevê a criação de uma nova empresa para controlar as principais competições da FIFA, nomeadamente o Campeonato do Mundo masculino e feminino e o Mundial de Clubes. Esta medida poderá gerar pressão para que ambos os eventos sejam ainda mais alargados ou realizados com maior frequência do que o atual ciclo de quatro anos.

A mesma fonte garante que figuras próximas da administração de Donald Trump foram consultadas sobre o plano. Joshua Kushner, irmão do genro de Trump, Jared, e o banco JP Morgan são apontados como os principais potenciais investidores.

A estrutura proposta para a nova empresa, que tem sido discutida entre altos quadros da FIFA e investidores sob acordos de confidencialidade, prevê que a FIFA detenha uma participação maioritária. Os investidores privados comprariam uma fatia inicial de 20 a 30% por vários milhares de milhões de euros, enquanto as 211 federações-membro da FIFA receberiam, em conjunto, cerca de 20% do capital.

Cada uma das 211 federações receberia uma participação, avaliada em cerca de 17,5 milhões de euros, que poderia manter ou vender para gerar receitas. Esta estratégia é vista como uma forma de garantir a aprovação do plano no Congresso e no Conselho da FIFA, uma vez que, para as associações mais pequenas, o valor das ações representaria várias vezes as suas receitas anuais.

«Bomba nuclear» para o futebol

O The Times afirma que já foram assinados alguns acordos não vinculativos que estabelecem os termos do negócio. No entanto, outras figuras proeminentes do futebol consideram o plano uma potencial «bomba nuclear» para a modalidade.

O próprio Infantino, de 56 anos, poderá assumir o cargo de comissário ou presidente executivo da nova empresa após o término do seu último mandato presidencial em 2031, para o qual deverá ser reeleito sem oposição. Embora o salário não esteja confirmado, fontes próximas do plano estimam que seja comparável ao do comissário da NFL, que aufere cerca de 56 milhões de euros anuais, um valor dez vezes superior aos ganhos atuais de Infantino.

A FIFA, atualmente uma organização sem fins lucrativos com sede na Suíça e isenção fiscal, é propriedade das suas 211 federações. As receitas para o ciclo 2022-26 estão projetadas em 13,2 mil milhões de euros, provenientes maioritariamente de direitos televisivos, patrocínios e bilhética do Mundial masculino. Este potencial de receita torna o torneio extremamente atrativo para investidores privados.

A expansão dos torneios é uma via clara para aumentar o valor da nova empresa. Recorde-se que o número de seleções no Mundial já foi aumentado de 32 para 48 para a edição de 2026, e Infantino afirmou recentemente que uma proposta sul-americana para alargar para 64 equipas seria «definitivamente» analisada.

Esta não é a primeira tentativa de Infantino de envolver investidores privados. Em 2018, um acordo de 22 mil milhões de euros com o banco japonês Softbank, apoiado pelo fundo soberano da Arábia Saudita, para um novo Mundial de Clubes e uma Liga das Nações global, não obteve o apoio necessário. Na altura, foi noticiado que Infantino ambicionava a presidência da entidade que seria criada para gerir o projeto, aponta a mesma fonte.

Preocupações

Crescem os receios no mundo do futebol em torno de um novo projeto que, caso avance, poderá ter um impacto global. Uma alta figura do futebol descreveu ao The Times o plano como «potencialmente muito pior do que a Superliga Europeia», alertando que afetaria todas as vertentes da modalidade a nível mundial.

A principal preocupação é que investidores privados possam pressionar para que o Campeonato do Mundo de seleções seja realizado em países onde o sucesso comercial seja maximizado. Existe também o temor de que uma pressão semelhante possa levar o Mundial de Clubes para o Golfo, com o objetivo de aumentar as suas receitas.

Tal cenário implicaria a interrupção dos campeonatos domésticos europeus, à semelhança do que aconteceu com o Mundial 2022 no Qatar, uma vez que as altas temperaturas no verão do Golfo inviabilizam a realização do torneio nessa altura do ano.

Outra fonte, em declarações ao The Times, classificou como «inaceitáveis» os inevitáveis conflitos de interesse que envolveriam a FIFA, Infantino e a nova empresa.

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