Bouldini de água fria para encher Fonte(lo) de alegria (crónica)
19 de fevereiro de 1989 — a data daquele que era o último triunfo do Académico, no seu reduto. Na altura, sobre o Leixões (1-0) e marcou Melo. Mais de 37 anos depois, voltou a acontecer, num encontro em que uma estreia era inevitável: por um lado, os anfitriões ainda não tinham pontuado em casa; por outro, os visitantes não tinham ainda somado pontos fora dela.
Ao contrário do que prometera na antevisão da partida, a turma orientada por Tiago Margarido voltou a desperdiçar (muito!), com o exemplo supremo da displicência logo aos 14’: num belo desenho ofensivo, Jakupovic isolou Samu. No entanto, apenas com o guardião beirão pela frente, o médio rematou por cima da baliza…
De cabeça, André Clóvis fez (só ao minuto 36) o primeiro remate dos viseenses, mas Oliwier Zych defendeu com tranquilidade. Seguiu-se o triplo desperdício de Jakupovic — aos 40’, 43’ e 44’ —, na baliza contrária, e o jogo foi para o intervalo 0-0.
Foi preciso esperar 53 minutos para se poder ouvir o grito mais prazeroso do futebol. Mesmo com os conquistadores a criar mais oportunidades, foram os do Centro a faturar, com Gohi (a única mudança de Bruno Pinheiro para o jogo) a inaugurar o marcador. O extremo aproveitou da melhor maneira a ressaca de um remate potente de André Clóvis, que embateu na barra, e, de primeira, na recarga, rematou sem espinhas, assinando o primeiro tento dos academistas em Viseu, no regresso ao principal escalão.
As alterações promovidas por Tiago Margarido no ataque — com as entradas para o onze de Oumar Camara e Jakupovic em detrimento de Miguel Nogueira e Alioune Ndoye — não resultaram e foram as do meio-campo a surtir efeito, com dois protagonistas lançados na etapa complementar. Gonçalo Nogueira empatou, aos 67’, com um remate de fora de área, após um passe de Alanzinho. A bola ainda desviou em Nikos Michelis, antes de entrar, traindo Ewerton.
O jogo animou e, entre oportunidade cá e oportunidade lá, foi o conjunto de Bruno Pinheiro a reclamar os três pontos a um minuto do final. Mohamed Bouldini aproveitou uma defesa incompleta de Oliwier Zych, após uma primeira tentativa de Mortimer, e fez o Estádio Municipal do Fontelo explodir de alegria — como não se via há mais de 37 anos!
Nos segundos que restaram, e com os nervos à flor da pele, Alioune Ndoye agrediu Alejandro Mestanza e acabou expulso. No banco de suplentes, o diretor-desportivo dos vimaranenses, Fernando Meira, também viu o cartão vermelho.
Aqui era para estar Gohi: a única mexida no onze academista que havia vencido o Gil Vicente (1-0) e que acabou por ser o mais irreverente dos academistas. Se for para mudar, que seja assim, para melhor — aqui o mérito vai para Bruno Pinheiro. Aqui e… quando lançou Mohamed Bouldini, o 1.º héroi do Fontelo no século XXI. Por esse motivo e apesar do pouco tempo em campo, este posto tem de lhe pertencer.
As notas do Académico de Viseu: Ewerton (6); Robinho (5), Anthony Correia (5), Nikos Michelis (5) e Gustavo Costa (5); Messeguem (5), Kahraman (5); João Guilherme (6), Luís Silva (5), e Gohi (7); André Clóvis (6); Mortimer (7), Mestanza (5), Mohamed Bouldini (7), Tomás Domingues (-) e Pedro Barcelos (-)
Desde cedo muito interventivo e a tentar mostrar por que motivo deve estar (quase...) sempre no onze. Ontem, foi o dono do lado esquerdo do ataque vitoriano e, por ali, protagonista do primeiro remate dos conquistadores (3’). Na etapa complementar, até sair (77’), também foi o grande desequilibrador. Aos 64’, só não inscreveu o seu nome na lista dos assistentes porque... Gustavo Silva não quis
As notas do Vitória de Guimarães: Oliwier Zych (4); Tony Strata (5), Thiago Balieiro (5), Sidibe (5) e João Mendes (5); Beni Mukendi (5) e Lohann Doucet (4); Gustavo Silva (4), Samu (4), e Oumar Camara (6); Arnel Jakupovic (5); Gonçalo Nogueira (6), Alanzinho (6); Miguel Nogueira (5), Alioune Ndoye (4) e Borevkovic (4)