Trump quer nomear presidente da FIFA secretário-geral da ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende nomear o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para o cargo de próximo secretário-geral das Nações Unidas, sucedendo ao português António Guterres, que se retirará no final de dezembro deste ano.
A relação entre Infantino, de 56 anos, e Trump, de 80 anos, estreitou-se durante o Campeonato do Mundo de 2026, com o dirigente suíço a esforçar-se por agradar ao presidente americano, chegando a atribuir-lhe o prémio inaugural da Paz da FIFA em dezembro do ano passado.
Uma fonte próxima de Trump revelou ao The Post que o presidente acredita que Infantino «é respeitado por todos em todo o mundo e reconhece que ele tem uma capacidade especial para unir as pessoas». Para garantir a posição, o presidente da FIFA necessitaria do apoio do Conselho de Segurança de 15 membros, onde os cinco membros permanentes têm poder de veto, seguido da confirmação pela Assembleia Geral. De momento, não é claro se Infantino deseja o cargo ou até que ponto o tema foi discutido com Trump.
A nomeação de Infantino iria contra a expectativa de que o próximo secretário-geral viesse da América Latina ou das Caraíbas, uma região que não tem um representante desde o peruano Javier Pérez de Cuéllar (1982-1991). No entanto, a mesma fonte indica que a rotação geográfica não seria um obstáculo intransponível e que Infantino poderia receber múltiplas nomeações.
Entre os candidatos mais conhecidos estão a ex-presidente socialista do Chile, Michelle Bachelet, que poderá enfrentar resistência dos EUA, e o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, cuja candidatura poderia ser contestada pelo Reino Unido devido à disputa pelas Ilhas Malvinas.
«Só Trump poderia ter uma ideia tão genial»
Paolo Zampolli, Representante Especial dos EUA para as Parcerias Globais, elogiou a ideia, afirmando que «só o Presidente Trump poderia ter uma ideia tão genial». Zampolli, amigo pessoal de Infantino, acredita que o presidente da FIFA «faria um excelente trabalho», trazendo uma nova energia à burocracia da ONU e usando o desporto para construir pontes.
«Existe alguma semelhança» entre os papéis de presidente da FIFA e de secretário-geral da ONU, afirmou Zampolli. «Nas Nações Unidas, tem de se lidar com 193 estados-membros. Na FIFA, há mais de 200 membros e o excelente historial de Gianni mostra que ele sabe gerir». Apesar de ter estado com Infantino na final do Mundial 2026 em Nova Jérsia, Zampolli disse não ter discutido o assunto e mostrou-se surpreendido com a notícia.
A nomeação de Infantino poderia melhorar a relação de Trump com a ONU, que tem sido tensa. Desde que regressou à Casa Branca, Trump cortou as contribuições dos EUA para a organização e retirou o país de várias das suas agências. Contudo, a mudança implicaria um corte salarial significativo para Infantino, que aufere cerca de 5,5 milhões de euros anuais na FIFA, em comparação com os aproximadamente 366 mil euros do secretário-geral da ONU.
Recorde-se que Infantino já declarou a sua candidatura à reeleição como presidente da FIFA, cuja eleição ocorrerá em março de 2027. Apesar de ter o apoio de quase todas as 211 associações-membro, enfrenta críticas devido à intervenção de Trump para anular a suspensão de Folarin Balogun durante o Mundial 2026, um ato que indignou as nações europeias.
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