Mundial 2026: Queiroz defende chamada de Partey, acusado de violação
O selecionador do Gana, Carlos Queiroz, defendeu a inclusão do médio Thomas Partey na convocatória para o Mundial, apesar de o jogador enfrentar acusações de violação em Inglaterra. O técnico sublinhou a importância da presunção de inocência, afirmando que o ex-jogador do Arsenal e do Atlético Madrid está a ser alvo de um pré-julgamento.
A polémica em torno de Partey intensificou-se com o mistério sobre a lista final de convocados do Gana. Queiroz, que deveria anunciar os nomes antes do particular com o País de Gales, em Cardiff, adiou a decisão, levantando questões sobre uma possível pressão externa. A lista final de todas as seleções será divulgada pela FIFA esta terça-feira.
Questionado sobre a situação do jogador, Queiroz foi perentório na sua defesa do princípio legal. «Até onde eu sei, em Inglaterra, em Portugal, ou em qualquer lugar, ainda vivemos com a presunção de inocência, até que um tribunal tome uma decisão. Mas, hoje, e isso não é só sobre o Thomas, somos condenados mesmo antes de termos a oportunidade de nos defendermos», declarou o treinador português.
Recorde-se que Thomas Partey foi acusado cinco vezes por duas mulheres de crimes que terão ocorrido entre 2021 e 2022, quando representava o Arsenal. No ano passado, uma terceira mulher acusou-o de agressão sexual. Em fevereiro deste ano, o jogador declarou-se inocente perante um tribunal inglês. Partey chegou a ser detido em 2025, mas foi libertado sob fiança com a condição de não contactar as acusadoras e de informar as autoridades sobre qualquer viagem internacional ou mudança de morada.
Numa metáfora sobre o desenrolar do processo judicial, Queiroz acrescentou: «Deixemos os eventos seguirem o seu curso normal, deixemos o rio fluir, e um dia, quando o rio encontrar o oceano, nós vamos encontrar a verdade. Se o jogador está aqui comigo, a minha resposta é clara. Não tenho nenhum comentário a fazer.»
Sucesso no Mundial 2026
Carlos Queiroz abordou outros temas em conferência de imprensa, mas com foco sempre no Mundial. Questionado sobre o que considera como um sucesso na competição, o técnico luso respondeu assim. «Será ganhar o primeiro jogo... e o próximo, e o seguinte. Se conseguirmos seguir e ganhar, seguramente deixaremos muita gente feliz», afirmou.
«Pressão? Claro que sim. Se me apontar um treinador que não tenha pressão, fico surpreendido. A pressão, no nosso trabalho, é que nos faz evoluir e ser melhores todos os dias. No dia em que não tivermos pressão, o nosso trabalho termina», completou.