Mourinho: «Não falo do Benfica, tem algo mais do que Chelsea, Inter, Roma...»
O Real Madrid está prestes a estrear-se na LaLiga e José Mourinho fez a antevisão à partida em casa do Espanhol, esta sexta-feira. O técnico português elogiou o adversário e admitiu que já estava «farto» de jogos particulares, mostrando-se satisfeito por, finalmente, jogar encontros «a sério».
No entanto, Mourinho fez questão de mencionar o nome do Benfica na conferência de imprensa, ao ser questionado sobre saudades do Real Madrid e de outros clubes. «Não sou de fazer reprovações nem de sentir saudades. Saí de Portugal há 20 anos e só voltei por alguns meses no ano passado. Sou alguém que não tem muito de que sentir saudades. Não penso no que deixei para trás. Cada título do Real Madrid vinha acompanhado de um telefonema do presidente. Sempre respondi: 'Não, isso não tem nada a ver comigo'. Fico contente por o meu trabalho ter deixado coisas positivas, mas os títulos são do Ancelotti, do Zidane e dos jogadores, das pessoas. Sempre com alegria. Sem saudades, mas se me perguntares se sinto alguma coisa pela Roma, pelo Inter, pelo Chelsea… Sim, sinto alguma coisa. Quero sempre que lhes corra bem. Não falo do Benfica porque tem algo mais do que estes», afirmou, recordando a eliminatória entre os encarnados e merengues na época passada.
«Fiquei na garagem durante aquele jogo e não tive contacto com ninguém. Num jogo da Liga dos Campeões, importante para o Real Madrid e para o Benfica, não tive contacto com ninguém. Primeiro surgiram os rumores e depois os contactos. Foi assim, quando o normal é que seja ao contrário. Todos os anos surge sempre um rumor de que o Real Madrid está interessado, mas quando o Real Madrid me contacta, já estamos eliminados e na fase final da época... e é aí que me perguntam se estou interessado ou não», admitiu.
Sobre o jogo em si, Mourinho lembrou a vitória do adversário ao Levante, de Luís Castro, por 3-0, na primeira jornada. «O Espanhol é uma boa equipa. As equipas que têm o mesmo treinador há já algum tempo são equipas bem preparadas, com rotinas e dinâmicas. Jogam bem, com ambição. Gostei muito do primeiro jogo e lá estão eles, com três pontos, três golos marcados, nenhum sofrido e a claque feliz. Estamos preparados para o que vamos encontrar», afirmou.
«Estou bem. Estou tranquilo. Mais uma época. Estou muito contente com a pré-época. Se me perguntares se gostaria de ter mais uma semana, sim, mas estamos fartos de particulares. Não adoramos este trabalho por causa dos jogos amigáveis. Queremos jogos a sério. Os lesionados da época passada estão fora há muito tempo e não espero recuperá-los em duas ou três semanas. O único jogador que está de fora deste jogo e que não vem da época passada é o Endrick. O Tchouameni está bem, mas ainda não conta», revelou, garantindo que não sente pressão.
«Não diria pressão, diria adrenalina. É algo positivo. No dia em que não a sentir, é porque há algo que não está bem. Não sinto pressão nem por estreias nem por jogos de futebol. Tenho muita confiança no trabalho que temos feito. Muita confiança na ambição dos jogadores, na sua mentalidade, na paixão que me demonstram. É um jogo difícil, mas amanhã, quando partirmos, fá-lo-emos com a convicção de que regressaremos com os três pontos», atirou, sendo questionado sobre as declarações de Diomande, que afirmou que «morreria» pelo Mourinho.
«Sem a seguir à letra, é uma expressão de que gosto. Preferia que ele se sacrificasse pelo grupo, pelo Real Madrid, mas sei o que ele quer dizer em relação ao grupo de trabalho e ao clube quando usa o meu nome. As palavras são fáceis. É mais difícil passar à ação. As palavras do Diomande não são diferentes do que vejo em todos. Vejo-os empenhados, com vontade de fazer as coisas bem feitas. O grupo está a crescer, está unido. Não somos o grupo perfeito, isso não existe. Não penso que não vá ter problemas, eles vão surgir. Mas, na essência, o grupo está forte. A mensagem do Diomande aplica-se a todos», apontou.
«Terminar sem troféus no Real Madrid não é uma época de sucesso»
Sobre a renovação de Vinícius Júnior, Mourinho ficou agradado. «Não foi nenhuma surpresa. Quando me explicaram a situação, a minha primeira pergunta foi: 'Ele quer ficar ou não?'. Disseram-me que ele quer ficar e fiquei tranquilo. Não quero avaliar se ele está entre os 10 melhores, mas é um dos melhores e os melhores têm de estar aqui. Não sei por que razão ele teve algum problema no passado. Não sei. O que vejo é que ele quer ganhar. Ele sabe o que eu quero, sem dúvida. Acho que está feliz, que se sente à vontade com a forma como preparamos os jogos e que quer ganhar desde o primeiro dia. Antes de assinar, cada pequena conversa terminava com 'vamos melhorar, vamos voltar a ganhar, vamos ser felizes'. Sempre com base nisso», contou.
Sobre a perda de Rodri para o Barcelona, Mourinho respondeu com... Bernardo Silva: «Não creio que tenhamos uma lacuna. Um médio seria a cereja no topo do bolo. Quando se tem o Tchouameni, o Bernardo, o Arda... Daqui a algum tempo, ele poderá jogar nessas posições. Não temos nenhum problema!»
Por fim, apontou à conquista de títulos esta época, algo que não aconteceu nas duas anteriores. «Sucesso? Há muitas formas de ver as coisas. A única maneira de ser pragmático é olhar para os resultados. É possível crescer muito a vários níveis, fazer crescer a estrutura, há muitas coisas a mudar, mas são os resultados que contam. Temos três competições mais uma pequena. Terminar sem troféus no Real Madrid não é uma época de sucesso», concluiu.
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