Sem Benfica será impossível, isso parece certo
O Benfica promoveu na quinta-feira à noite, aproveitando a realização de um jogo do play-off da UEFA Europa League no estádio da Luz, a assinatura da petição que tinha entregue na Assembleia da República para discutir o eventual adiamento do processo de venda centralizada dos direitos televisivos das ligas profissionais a partir de 2028.
Não precisava de fazê-lo, visto que as 7.500 assinaturas requeridas para levar o assunto à discussão no Parlamento estão garantidas há dias, mas tratou-se de uma inteligente demonstração de força.
Estava na cara, há muitos meses ou mesmo anos, que o Benfica não iria deixar avançar a centralização sem garantir, no mínimo, a manutenção dos proveitos de que já usufrui quando negoceia sozinho no mercado.
Podemos discutir a essência da ideia de centralização ou a forma como deve ser aplicada. Podemos até tecer juízos de valor sobre a maior ou menor sobranceria dos clubes mais fortes nesta matéria — e por maioria de razão a do Benfica, que como todos sabemos representa uma larga maioria do mercado nacional e até internacional.
O que não podemos, creio, é ter a ilusão de que um passo estrutural como este possa ser dado sem o acordo e o forte compromisso do clube da Luz.
Aqui chegados, há mais por responder: o que farão os grupos parlamentares dos partidos que receberam comitivas do Benfica nos últimos meses com este assunto, certamente, na agenda?
Mais importante ainda: tendo assumido que concorda com o princípio da centralização, o que defende afinal o Benfica? Sabemos o que não quer, mas ainda não se ouviu uma palavra sobre o que quer, algo que, já agora, não deixa de ser relevante para a discussão.
A centralização é justa e parece ser o único caminho para uma Liga melhor e mais saudável. O princípio é eticamente correto. Somos uma aldeia gaulesa na Europa do futebol.
Se calhar todos deviam preparar-se para perder um pouco agora e ganhar mais tarde. Mas sabemos que na prática as coisas não são assim: defendemos a competitividade, mas no fundo desejamos poder ganhar sempre. Se for de goleada tanto melhor.
Bismarck foi sábio nestas palavras: «A política é a arte do possível.» No futebol português, «possível» só cabe numa frase que inclua «Benfica».