Montanha ficou maior, mas Sidny vai à luta no Benfica
Contratado em janeiro deste ano ao Estrela da Amadora, por 6 milhões de euros, mais 2,5 milhões em objetivos, por 90% do passe, Sidny Lopes Cabral atravessou nas últimas semanas um período complicado no Benfica, devido a um episódio inesperado.
No final da derrota em Madrid diante do Real (1-2), que ditou a eliminação das águias da UEFA Champions League (no play-off de acesso aos oitavos de final da competição), o jogador pediu a camisola a Vinícius Júnior, avançado brasileiro da equipa merengue. O polivalente jogador encarnado — capaz de atuar como lateral ou ala em ambos os flancos — acabou por não efetivar a troca de camisolas e retratou-se imediatamente junto da estrutura do clube depois de perceber o desconforto causado pela situação. O contexto tornou-se mais sensível com a investigação da UEFA ao argentino Gianluca Prestianni, extremo dos encarnados acusado de insulto racista a Vinícius.
Em conferência de Imprensa, José Mourinho não considerou o gesto criticável, mas classificou-o como «evitável». Ainda assim, as decisões técnicas tomadas nos dois jogos seguintes sugerem uma medida pedagógica: Sidny Lopes Cabral não foi utilizado na vitória sobre o Gil Vicente (2-1), em Barcelos, e ficou fora da ficha de jogo no clássico com o FC Porto (2-2), no Estádio da Luz.
Segundo apurou A BOLA, o internacional cabo-verdiano, de 23 anos, reconhece o erro, mas mantém confiança e atitude positiva. Sidny acredita que ainda pode ser muito útil ao Benfica até ao final da temporada. Continua a trabalhar nos treinos para reconquistar a confiança de José Mourinho e mantém bom relacionamento com colegas e elementos da estrutura profissional.
Apesar da natural frustração por ter ficado de fora frente ao FC Porto, o jogador mantém o foco em voltar aos convocados já no próximo sábado, frente ao Arouca, na 26.ª jornada da Liga.
Primeiro reforço de inverno de Mourinho, Sidny teve impacto imediato numa equipa limitada em opções para as alas, ainda para mais devido a várias lesões que condicionaram as ideias do treinador. Estreou-se com uma assistência na vitória por 3-1 frente ao Estoril e soma, até agora, mais duas assistências e um golo — apontado no triunfo por 4-0 diante do Estrela da Amadora — em 11 jogos, apenas quatro como titular.
A decisão de relançar o jogador na equipa pertence agora ao treinador, que avaliará o momento ideal para o fazer regressar às opções nos jogos do Benfica.
Sidny Lopes Cabral assinou com o Benfica um contrato válido até 2030, com uma cláusula de rescisão fixada em 60 milhões de euros.