Pavlidis, avançado do Benfica, no jogo com o Ajax (foto: Imago)
Pavlidis, avançado do Benfica, no jogo com o Ajax (foto: Imago)

Jogo contra o Benfica expõe caos e risco de morte em Amesterdão

Falta de condições no metro mais clara depois da receção do Ajax às águias para duelo na Champions

O sistema de metropolitano de Amesterdão esteve à beira do colapso e de incidentes potencialmente muito graves durante a recente receção aos adeptos do Benfica, na vitória dos encarnados (2-0, golos de Dahl e Barreiro), a 25 de novembro do ano passado, na fase de liga da UEFA Champions League.

Documentos internos e testemunhos de funcionários da GVB (empresa de transportes urbanos), a que a publicação neerlandesa NRC teve acesso, descrevem cenários de «caos completo» e situações de «risco de vida» que foram subestimados pelas autoridades policiais e municipais.

O ponto crítico, segundo a reportagem publicada, ocorreu quando cerca de dois mil adeptos do Benfica foram transportados entre a Praça Dam e a Johan Cruijff Arena. Segundo os controladores de tráfego, a pressão das multidões nas plataformas subterrâneas tornou-se insustentável, com passageiros a serem empurrados contra as carruagens em movimento.

«A situação em torno do Ajax-Benfica não seguiu os acordos e protocolos. Os riscos podem ter sido subestimados pela polícia e pelo município», descreve Rutger Kessing, líder de equipa do Controlo de Tráfego, citado pela NRC.

O relatório descreve ainda que, após a partida, adeptos invadiram as linhas de metro, caminhando junto ao terceiro carril de alta voltagem (750 volts), onde o contacto é fatal. A ausência de força policial nestes momentos impediu uma resposta eficaz a chamadas de emergência dos maquinistas.

O clima, descrito como de medo entre os funcionários da GVB, acentua a sensação de que a preparação para jogos de alto risco é estruturalmente deficiente no que ao funcionamento e disponibilidade do metro diz respeito. Apesar da gravidade dos incidentes — que incluíram confrontos físicos entre claques e invasão de vias —, não foram, porém, efetuadas detenções no metro durante as duas noites de maior tensão.

Um dado alarmante revelado pela investigação é a inexistência de registos visuais dos distúrbios. As imagens de videovigilância foram apagadas, uma vez que a polícia não solicitou a sua preservação dentro do prazo legal, invocando leis de privacidade.

Embora o jogo contra o Benfica tenha sido o catalisador dos alertas, os problemas já teriam sido sinalizados anteriormente e repetiram-se semanas depois no encontro contra os gregos do Olympiakos. Em ambos os casos, a GVB e a polícia trocaram acusações sobre a falta de partilha de informação.

A autarquia de Amesterdão, liderada pela presidente Femke Halsema, afirmou desconhecer estas avaliações internas negativas até recentemente. No entanto, os números de 2025 já apontam para 161 incidentes reportados na rede de metropolitano, incluindo 20 casos de pessoas na linha e 10 incidentes diretos com passageiros.

Face à gravidade das denúncias, as autoridades de Amesterdão comprometeram-se a reavaliar o posicionamento policial e os protocolos de transporte em dias de jogos europeus.