«Messi, Ronaldinho... A minha forma de jogar é o melhor argumento para ganhar a Bola de Ouro»
Lamine Yamal, extremo de 19 anos do Barcelona, abordou as suas aspirações a conquistar a Bola de Ouro numa extensa entrevista concedida ao L'Équipe, na Ciutat Esportiva Joan Gamper. O extremo acredita que o seu estilo de jogo é o seu principal trunfo na corrida pelo prestigiado galardão.
Para Yamal, a Bola de Ouro premeia um tipo específico de futebolista. «Creio que, no final, a Bola de Ouro é o prémio que recompensa o melhor jogador do ano, o jogador diferente, aquele que dá prazer ver jogar, aquele por quem se vê um jogo só por ele», explicou, acrescentando que não tem «nada a ver com a quantidade de golos que marca». Como exemplos, citou nomes como Messi e Ronaldinho, «jogadores que são diferentes, que fazem sorrir quando os vemos jogar».
Questionado sobre os seus próprios argumentos para vencer, o jovem foi direto: «Creio que todos os que veem futebol já conhecem os meus argumentos. Entro em campo, desfruto, jogo bem, jogo como quero jogar». Yamal destacou ainda os sucessos coletivos como um fator importante, mencionando os títulos conquistados pelo Barça e, mais recentemente, o Campeonato do Mundo pela sua seleção. «Mas, mais do que tudo isso, creio que a minha forma de jogar é o meu argumento mais forte e o que me torna diferente», reforçou.
O extremo do Barcelona valorizou também a importância das vitórias coletivas para o brilho individual. «No final, quando a tua equipa ganha, toda a gente se destaca mais, toda a gente brilha mais e, graças a Deus, com a seleção há anos que ganhamos, com o Barça também ganhamos, estamos muito contentes», afirmou.
Sobre a concorrência na edição deste ano, Yamal considera positivo o debate alargado. «É bom, e mais divertido, que haja mais jogadores, mais debate e que as pessoas possam ter opiniões diferentes», disse, reconhecendo a dificuldade da tarefa dos jornalistas. «Todos temos argumentos muito sólidos, todos somos grandes jogadores. Messi menciona-se porque fez um grande Mundial, por exemplo, e outros têm argumentos distintos. É preciso respeitar todas as opiniões», defendeu.
No seu caso, a conquista do Mundial é um fator de peso. «A vantagem no meu caso é que pude ganhar o Mundial este ano e, obviamente, isso dá-me um extra. Creio que é lógico», manifestou.
Recordando a última gala da Bola de Ouro, onde ficou em segundo lugar atrás de Ousmane Dembélé, Yamal descreveu-a como «uma noite especial». «Não há muitos rapazes de 18 anos que vão a uma cerimónia da Bola de Ouro a pensar que têm hipóteses de ganhar», confessou. Apesar de Dembélé ter vencido, Yamal não sentiu frustração. «Vejo-o como uma conquista. Terminei em segundo aos 18 anos. Também me ajuda a superar-me», explicou, reconhecendo o mérito do vencedor: «Ele merecia, tinha feito uma temporada incrível, ganhando a Liga dos Campeões, e fiquei feliz por ele».
Por fim, o jogador rejeitou a etiqueta de arrogante. «Creio que as pessoas que dizem isso, no fundo, divertem-se comigo. No fim de contas, o futebol é um desporto feito para desfrutar», declarou, defendendo a sua naturalidade. «Não é tanto arrogância, mas sim dizer o que penso — sempre —, e dizê-lo com naturalidade. Simplesmente tento ser o mais natural possível. Tenho a sensação de que as pessoas não estão habituadas a que alguém responda com sinceridade».
Numa perspetiva mais pessoal, Lamine descreve-se como um jovem que procura a normalidade. «Sou um rapaz de 19 anos que treina, que depois volta para casa para estar com a família e a namorada, e que tenta levar uma vida normal. Tento sair para passear quando posso, quando as pessoas me permitem... Também tento passar tempo com o meu irmão mais novo. Como qualquer rapaz», explicou.
O jogador contrariou a ideia de que a riqueza permite fazer tudo o que se quer, especialmente no mundo do futebol. «Toda a gente pensa que, quando se tem dinheiro, se faz o que se quer. Mas quando se é futebolista, isso não é possível. Sabemos que no dia seguinte temos treino ou jogos, e queremos que o nosso corpo esteja bem», afirmou, acrescentando que o mais importante é poder viver a sua vida, tal como as outras pessoas: «Poder ir beber um copo com os meus amigos, com a minha família. É disso que mais gosto.»
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