Vini e Mbappé tapam parcialmente camisola com mensagem para Ceuta (IMAGO)
Vini e Mbappé tapam parcialmente camisola com mensagem para Ceuta (IMAGO)

Mbappé quebra o silêncio para explicar polémica com camisola de Ceuta

Jogador do Real Madrid escondeu parcialmente mensagem direcionada ao enclave

Kylian Mbappé quis justificar a sua decisão de usar apenas parcialmente a camisola de apoio aos habitantes de Ceuta, um gesto que gerou controvérsia em Espanha.

Numa entrevista ao diário espanhol AS, o avançado do Real Madrid abordou a polémica que o envolveu, juntamente com os seus colegas Vinícius e Ibrahima Konaté, antes do jogo entre o Elche e o Real Madrid. Os três jogadores optaram por não vestir completamente a camisola de apoio.

«Quero explicar bem para que as pessoas compreendam. Foi uma decisão dos clubes que usássemos a camisola, portanto, nós, os jogadores, tínhamos de a vestir. A primeira coisa que quero dizer é que tenho toda a minha solidariedade para com Ceuta e todas as vítimas. Porque, antes de ser jogador, sou um ser humano», começou por esclarecer Mbappé.

A iniciativa validada pela LaLiga, consistia em usar camisolas com a mensagem: «Todos somos caballas (Somos todos de Ceuta).» No entanto, o gesto também foi criticado em Espanha por omitir as vítimas imigrantes — segundo a Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH), 141 imigrantes morreram ao tentar chegar a Ceuta.

Mbappé explicou que a sua intenção foi precisamente homenagear essas vítimas. «Queria também ter um pensamento e fazer um gesto por todos os imigrantes que perderam a vida e que também vivem em condições difíceis», afirmou, admitindo que não se encontrava numa «posição fácil».

O jogador fez questão de reforçar que a sua ação não foi contra a população de Ceuta. «No final, as pessoas podem pensar que sou contra os habitantes de Ceuta, mas não, de modo algum. Não tenho nada contra eles e apoio-os a 100%. Mas queria também ter um pensamento por todas as pessoas que sofrem, porque, no fim de contas, sou um ser humano e não quero dar prioridade ao sofrimento», insistiu.

O gesto simbólico de Mbappé, Konaté e Vinicius desencadeou uma onda de críticas, incluindo do presidente da LaLiga, Javier Tebas. «Acho que está errado. Não são atos pessoais onde se deva expressar a opinião pessoal», considerou Tebas.

Conhecido por se pronunciar sobre questões sociais, Mbappé concluiu assim a sua intervenção: «Quero transmitir uma mensagem de positividade e de paz, e espero que esta situação seja rapidamente resolvida. Há pessoas que sofrem e custa-me muito ver isso no mundo. Sou um rapaz que quer o melhor para o mundo em que vivemos.»

Até ao momento, Vinícius e Konaté ainda não reagiram publicamente à polémica.

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