Marco Silva sorri após a vitória do Benfica no San Siro, sobre o Milan - Foto: IMAGO
Marco Silva sorri após a vitória do Benfica no San Siro, sobre o Milan - Foto: IMAGO
Nélson Feiteirona Nélson Feiteirona

Riscos, gerir euforia e os jogos para Kaminski: tudo o que disse Marco Silva

Treinador do Benfica em declarações na conferência de imprensa após a vitória sobre o Milan na estreia na Liga Europa

Marco Silva, treinador do Benfica, em declarações na conferência de imprensa após a vitória sobre o Milan no primeiro jogo da fase de liga da Liga Europa.

– Rodou a equipa e venceu. Foi a noite perfeita?

– Acaba por não ser a noite perfeita porque é muito difícil haver perfeição no futebol e na vida, mas foi uma noite muito boa. Eu sabia que estava a correr muitos riscos ao mudar nove jogadores, porque independentemente da competição, tantas alterações provocam riscos, mas em termos de motivação, num jogo desta dimensão eles são um pouco menores. A motivação dos jogadores nestes jogos está nos píncaros e há muito mais trabalho tático para fazer. Os jogadores estiveram brilhantes, foram extraordinários, num registo um pouco diferente e com apenas dois dias de trabalho entre jogos, mesmo não sendo uma noite perfeita. O golo cedo ajudou-nos e trouxe-nos tranquilidade. Ganhar contra o Milan não é fácil. O Benfica é um clube enorme, como o Milan também é, mas o Benfica nunca tinha conseguido ganhar-lhes em jogos oficiais e tivemos essa conversa com os jogadores antes de vir para o estádio.

– Assume-se como candidato a vencer esta competição?

— Não vou entrar por aí. Eu disse na minha apresentação que se o Benfica estivesse na fase de liga da Liga Europa, pela dimensão que tem, precisa de se apresentar com grandes ambições. E nós temos essa ambição. Mas estão cá outros clubes de grande dimensão. Fizemos seis jogos para chegar aqui e não faz sentido ter receio de encarar um adversário como encarámos hoje. Não vai ser sempre assim, estou já a avisar, mas vamos sempre jogar para ganhar, ir o mais longe possível e chegar ao último jogo.

– A resposta dos jogadores neste jogo vai criar-lhe mais dúvidas no onze do que tem tido?

– Tenho tido algumas dúvidas. Não tenho demonstrado isso no onze, mas tenho tido algumas e isso é bom sinal. Temos repetido muito o onze, mas os jogadores têm-me provocado algumas dúvidas e acredito que daqui a um ou dois meses ainda vou ter mais porque os jogadores vão estar num nível físico diferente. O que é bom para mim. Na minha forma de ver futebol, um clube que tem aspirações em quatro competições, não pode ter apenas 14 ou 15 jogadores. Por vezes os jogadores não entendem isso tão bem, mas nós também temos de lhes dar a confiança de que acreditamos neles. E esta noite foi-lhes dada essa confiança. Não é fácil mudar desta forma, mas eles responderam muito bem. 

– Qual a razão para ter optado por poupar Lenglet e mudar Tomás Araújo para central à esquerda?

–  É muito simples: o Lenglet tem muito mais jogos do que o Tomás, começou a época logo no início, e praticamente só descansou um jogo. A idade do Tomás também é diferente da do Lenglet, e todas as questões tiveram peso na nossa decisão. Mas aqui também construímos muito mais a quatro do que a três. Este tipo de jogos é muito mais para o Kaminski, por exemplo, do que aqueles em que os adversários estão num bloco muito baixo. O trabalho tático que ele fez demonstra bem as características que ele tem. E temos de ir gerindo tudo. 

– Como vai travar a euforia dos jogadores no balneário, depois de uma vitória histórica?

– Começámos muito bem a fase de liga da Liga Europa, com uma vitória histórica que nos deixa com um bom gosto por o termos conseguido, mas é só isso. São três pontos, mas não há qualquer euforia. Eu sei o grupo que tenho, eles precisam de confiança, mas são humildes para perceber que tivemos um bom começo, com uma vitória muito boa, mas nem temos tempo para celebrar nada. Até porque no domingo temos mais um jogo muito importante para fechar este primeiro ciclo da época, que tem sido muito desgastante, mas com uma excelente resposta dos jogadores. Disse depois do jogo com o Gil Vicente que teremos muitas batalhas pela frente e continuaremos a tê-las, mesmo ganhando este jogo. 

– O que lhe disse Ruben Amorim no final?

– Eu e o Ruben temos uma relação muito boa. Ele sabe que sempre que não for contra mim, eu estarei a torcer por ele. E naturalmente ele fará o mesmo. Há um respeito muito grande entre nós. O que falámos fica entre nós, mas não foi nada de extraordinário. 

– Após 10 anos a treinar em Inglaterra, que impacto está a ter este início no Benfica?

– O Benfica é um clube histórico gigante. Para mim não é novidade. É a primeira vez que treino o Benfica, mas como português sei o que significa estar neste cargo num clube como o Benfica. Pessoalmente, nada mudou no impacto em mim. Eu pareço mais novo, mas tenho experiência e maturidade para saber o que significa ser treinador deste clube.

A iniciar sessão com Google...