Prova de águas abertas em Ceuta com 82 anos adiada

Receio pela segurança dos participantes face à quantidade de emigrantes que têm vindo por mar, a nado, a partir de Marrocos levou à decisão

A 82.ª edição da Travessia do Porto de Ceuta, um dos mais antigos eventos desportivos de Espanha, foi adiada devido a preocupações de segurança decorrentes da recente chegada em massa de migrantes marroquinos ao enclave espanhol. A decisão foi anunciada pelo Clube de Natação Caballa, organizador da prova.

Em comunicado, o clube justificou o adiamento da emblemática prova de natação em águas abertas com «razões de segurança e operacionais». A medida foi considerada a mais adequada para salvaguardar a integridade dos participantes e de todos os envolvidos na organização, face à «situação excecional» que a cidade atravessa.

A organização garantiu que as inscrições para o evento, originalmente agendado para 5 de agosto, permanecem válidas. A nova data será anunciada assim que as condições de segurança o permitam.

A crise migratória em Ceuta, um território com 83.000 habitantes no norte de Marrocos, intensificou-se desde a passada quinta-feira. As autoridades locais estimam a entrada de cerca de 60.000 pessoas, um número superior às 50.000 contabilizadas pelo governo de Madrid. Segundo o Ministério da Administração Interna espanhol, a maioria dos migrantes já regressou voluntariamente a Marrocos.

No entanto, as forças de segurança espanholas calculam que aproximadamente 73.500 pessoas em situação ilegal tenham deixado a cidade desde quinta-feira, um número que pode incluir tanto recém-chegados como indivíduos que já se encontravam no enclave.

A situação humanitária é grave, com as autoridades a confirmarem a morte de pelo menos 72 pessoas que tentaram alcançar Ceuta a nado desde o início da crise. Por sua vez, o Ministério do Interior de Marrocos defendeu que a gestão migratória deve assentar numa «responsabilidade partilhada» e «solidariedade» entre as nações.

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