Rafael Leão afirmou publicamente que está de saída do Milan
Rafael Leão - Foto: IMAGO

«Já estava farto de ver o Rafael Leão, parece que joga para te fazer um favor»

José Altafini, o herói da final da Taça dos Campeões Europeus de 1963, recorda a vitória do Milan sobre o Benfica, tece críticas ao reforço do Galatasaray e analisa o atual momento da equipa italiana com Gonçalo Ramos e Ruben Amorim

Em 1963, José Altafini foi a figura central da primeira conquista da Taça dos Campeões Europeus pelo Milan, ao bisar na vitória por 2-1 sobre o Benfica de Eusébio. Agora, aos 88 anos, o antigo internacional brasileiro e italiano recorda esse momento histórico, em entrevista à Gazzetta dello Sport, atribuindo o sucesso a dois fatores cruciais.

«Ganhámos porque o Cesare Maldini, como já se contou mil vezes, decidiu em campo mudar a marcação a Eusébio, que estava a enlouquecer o Benitez. O Rocco, do banco, não conseguia comunicar connosco e o Maldini, como se fosse o treinador, colocou o Trapattoni em cima dele», explicou Altafini. O segundo fator foi uma lesão na equipa portuguesa: «O Benfica jogou muito tempo com 10 jogadores devido a uma lesão.»

Dessa noite memorável, Altafini não guarda recordações físicas. «Não, nada. Um adepto tirou-me a camisola no final do jogo, as chuteiras, quem sabe. Resta-me um calo na barriga da perna, de uma entrada do Humberto, que nunca mais desapareceu, apesar de ter passado a noite toda com gelo, sem festejar», revelou. A memória mais forte é outra: «No final do jogo, lembro-me de um longo abraço com o Rocco. Disse-lhe que estava muito feliz por ele, pois sabia que ia deixar o Milan

Sobre o Milan atual, o antigo avançado mostra-se cético. «Quando se quer fazer uma grande equipa, contratam-se três superjogadores. Gullit, Van Basten e Rijkaard. Este Milan, não sei. Parece-me que contratou muitos jogadores que não dão impulso, embora o Gila seja muito bom», analisa, deixando críticas diretas a Rafael Leão.

«Já estava farto de ver o Leão, parece que joga para te fazer um favor!», atirou, sendo que o internacional português deixou o clube ao fim de sete anos para assinar pelo Galatasaray, por 38 milhões de euros.

Questionado sobre Gonçalo Ramos, Altafini defende o avançado português. «De certeza que não tem culpa em jogos como o Juve-Milan, em que não recebeu uma única bola de um colega. Também me acontecia a mim e criticavam-me. Se jogasse hoje, movimentar-me-ia pelo campo, em noites assim iria para a ala ou para trás. No meu tempo, isso não se fazia», concluiu.

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