Mateus Fernandes abre o livro: o que o liga a Gonçalo Ramos e o alívio por Ronaldo
Mateus Fernandes concedeu uma entrevista em Inglaterra, poucos dias depois da estreia pela Seleção A de Portugal. O médio do West Ham abriu o livro e explicou o significado da única tatuagem que tem no corpo.
No balneário, junto à sua camisola do West Ham, está sempre uma t-shirt com o rosto de Tozé, o seu treinador de infância no Olhanense, que faleceu quando o médio tinha apenas 10/11 anos. É uma homenagem que Mateus Fernandes mantém desde os tempos do Sporting e do Southampton. A ligação ao seu mentor, António Paulo, conhecido como Tozé, está também gravada na pele. A única tatuagem do jogador retrata o momento em que o treinador lhe colocou a braçadeira de capitão em criança.
«Esta tatuagem significa muito para mim. Em todos os jogos, coloco uma camisola dele no meu lugar, porque, na minha visão, é a minha estrela da sorte», revelou o médio. «Foi o meu primeiro treinador quando era miúdo e levava-me para os treinos. Foi o meu professor de futebol. Quando eu tinha dez ou onze anos, morreu de cancro. Fomos ao hospital e, dois dias depois, faleceu. Foi um momento difícil para nós, os seus jogadores», confessou, em entrevista ao The Sun.
A memória de Tozé continua a ser uma fonte de inspiração diária para Mateus Fernandes. «Falo com ele todos os dias, todas as noites. Tento ser o miúdo dele, como era, e tento orgulhá-lo», afirmou. «Falo com o Tozé para me dar bons conselhos, para me ajudar a mim e à minha família. Para me apoiar — e eu apoio a família dele. Quando entro em campo, peço-lhe que me mostre o caminho, o caminho certo, que me dê apoio no jogo, energias positivas», acrescentou.
O jogador recorda que o seu primeiro treinador era mais do que uma figura do futebol. «Ele era muito otimista. Quando falava connosco, não era apenas sobre futebol. O Tozé cuidava da nossa família», explicou, acrescentando que o mentor os levava a restaurantes e pagava as viagens. «Ele sabia que, por vezes, não é só o futebol. O mais importante são as relações, os amigos — e ele mostrava isso todas as semanas».
Mateus Fernandes, que se mudou do Southampton para o West Ham no verão passado, destacou que, da sua aldeia, apenas ele e Gonçalo Ramos, avançado do PSG, se tornaram profissionais.
Recentemente, o médio teve mais um motivo para orgulhar o seu antigo mestre ao ser convocado pela primeira vez para a seleção principal de Portugal. Apesar de ter jogado poucos minutos na vitória contra os Estados Unidos, teve a oportunidade de partilhar o campo com um dos seus ídolos, Bruno Fernandes. A ausência de Cristiano Ronaldo, por lesão, foi vista com algum alívio. «Tirou-me um pouco de pressão! Com ele na equipa, sentiria mais pressão. É o maior jogador do meu país e do Mundo. Mas espero que da próxima vez possa jogar com ele», admitiu.
A carreira do jogador tem sido marcada por desafios. Deixou a sua casa aos 13 anos para se juntar ao Sporting como defesa e, mais tarde, enfrentou a adaptação a Inglaterra. «Tudo é diferente aqui... a língua, o tempo», disse sobre a sua chegada. No Southampton, apesar da despromoção da equipa, foi eleito o jogador do ano pelos adeptos e pelos colegas.
«Foi difícil no Southampton. Perdíamos quase todos os jogos. Mas mesmo quando se está a perder, é preciso mostrar personalidade, é preciso mostrar qualidade. E se queres ir ao Mundial, tens de ser profissional todos os dias», afirmou.
Agora no West Ham, Mateus Fernandes sente que a adaptação está a ser mais fácil. «Estava a viver sozinho, por isso aprendi todas estas coisas sozinho. Agora vivo com a minha namorada, o meu treinador [Nuno Espírito Santo] é português — e estas coisas estão a ajudar-me muito».
Determinado a evitar outra luta pela despromoção, o médio está focado apenas no desempenho da sua equipa. «Não pensamos nos outros clubes. Se vencermos o próximo jogo da Premier League contra o Wolves, ficamos mais perto de sair desta posição. Somos apenas nós contra o mundo», completou.
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