Marezi apresentou licença para colocar Nave(s) a voar (crónica)
Foi aproveitando os 190 centímetros de Kaiky Naves que o Alverca começou a voar para os 38 pontos para selar a permanência no principal escalão do futebol luso.
Ainda o relógio não tinha batido nos 10 minutos quando o defesa-central brasileiro, de 23 anos, aproveitou um cruzamento com conta, peso e medida de Nabili Touaizi, do lado direito, para, ao segundo poste, cabecear certeiro e inaugurar o marcador deste (belo) embate de abertura da ronda 31.
Mas antes disso, refira-se, os lobos já tinham feito por deixar a sua marca: logo aos 2 minutos, Pablo Gozálbez apareceu no coração da área e só não pintou o resultado de amarelo porque Matheus Mendes foi gigante entre os postes.
Estava dado o mote para um espetáculo bastante atraente. Algo que, no fundo, era expectável. Além do conforto classificativo que os dois contendores tinham à entrada para esta jornada, Custódio Castro e Vasco Seabra têm demonstrado ao longo da época que são dois treinadores que privilegiam o futebol de posse e que incutem um espírito ofensivo nas respetivas equipas. E este encontro foi mais uma prova de que técnicos com ideias estratégicas diferentes conseguem trabalhar dinâmicas tão interessantes que ao abrigo da mais elementar justiça terão sempre de ser elogiadas.
Não foi, pois, de espantar que os forasteiros não ficassem afetados com a desvantagem e continuassem fiéis aos seus princípios. A identidade deste Arouca revela que a primeira fase de construção é feita, geralmente, por dentro, para que os espaços possam aparecer, depois, pelos corredores laterais, e foi dessa forma que os lobos foram criando situações para chegarem ao empate. Mas Jose Fontán (14') e Iván Barbero (29') não conseguiram o uivo que tanto procuraram. Pelo meio, refira-se, Figueiredo quis dobrar a vantagem dos da casa, mas o remate saiu ao lado (27').
A etapa complementar manteve a toda, com o Alverca a voltar a dar uma lição de organização defensiva e a saber explorar as saídas em transição, mas foi o Arouca que consubstanciou o domínio: Espen van Ee encheu-se de fé e, aproveitando também o vento, atirou de fora da área para o empate (49').
Taichi Fukui e Alfonso Trezza ameaçaram a reviravolta, com Figueiredo a tirar tinta à barra. Tudo podia acontecer até final. O golo iria cair para qualquer um dos lados...
A felicidade saiu... à casa: grande jogada de Chiquinho e Marezi, acabadinho de entrar, apresentou a licença para colocar Nave(s) a voar.
O Alverca continuará na elite nacional em 2026/2027, o Arouca também vai acabar por selar esse destino. Que tem feito por merecer.
Mesmo marcando o golo da vitória poderia não ter este destaque, mas a esse facto juntamos um outro de extrema relevância: o tento do jovem ponta de lança sérvio também selou a continuidade dos ribatejanos por entre a nata do futebol português. E se os méritos têm de ser repartidos, neste caso é justo elevar-se o cabeceamento certeiro do camisola 9. Decidiu... está decidido!
Detentor das coordenadas certas para assumir todos os equilíbrios do coletivo — especialmente durante os largos momentos de domínio arouquense — o médio neerlandês provou ter chegada à frente e potência de remate. Que belo pontapé (sim, o vento também fez a sua parte...) a igualar (na altura) a partida. Aos 22 anos, tem dado nas vistas e promete não ficar por aqui...
As notas dos jogadores do Alverca:
Matheus Mendes (6), Kaiky Naves (7), Sergi Gómez (6), Bastien Meupiyou (6), Nabili Touaizi (7), Rhaldney (6), Lincoln (6), Isaac James (6), Figueiredo (6), Sandro Lima (6), Chiquinho (7), Steven Baseya (5), Marezi (7), Davy Gui (—), Vasco Moreira (—) e Diogo Spencer (—).
As notas dos jogadores do Arouca:
Arruabarrena (6), Tiago Esgaio (6), Matías Rocha (5), Jose Fontán (5), Bas Kuipers (6), Taichi Fukui (7), Espen van Ee (7), Pablo Gozálbez (5), Lee Hyunjui (7), Nais Djouahra (7), Iván Barbero (6), Alfonso Trezza (6), Pedro Santos (5), Mateo Flores (5), Brian Mansilla (—) e Fally Mayulu (—).
Ricardo Sousa (treinador-adjunto do Alverca):
Na primeira parte tivemos alguma dificuldade em controlar os espaços defensivos e em posse faltou algum critério. Corrigimos ao intervalo e mesmo depois de sofrermos o golo fomos à procura da vitória e conseguimos o nosso objetivo.
Vasco Seabra (treinador do Arouca):
Fomos sempre dominadores e criámos muitas dificuldades ao Alverca. Podíamos entrar no jogo a vencer e logo depois ficámos a perder. Na segunda parte chegámos ao empate, mas depois o Alverca voltou a marcar. Fomos infelizes.
Notícia atualizada às 23h22