Diogo Costa (MIGUEL NUNES)
Diogo Costa (MIGUEL NUNES)

Mãos que amparam Portugal já são as maiores de sempre

Ronaldo leva três golos, Ramos marcou o golo do apuramento, Leão fez o cruzamento perfeito, mas o melhor tem sido Diogo Costa. Já é o guarda-redes português com mais jogos em fases finais de Mundiais

TORONTO — Não há grandes dúvidas, pois não? Apesar dos três golos de Ronaldo, do excecional desvio de Gonçalo Ramos que colocou Portugal nos oitavos de final, da brilhante assistência de Rafael Leão para o golo do avançado (que era do PSG e vai ser do Milan), do virtuosismo de João Félix, das arrancadas de Pedro Neto e da estanquicidade de Renato Veiga, o maior fenómeno da Seleção Nacional tem sido outro: Diogo Meireles da Costa, o homem das mãos de aço e dos pés que colocam a bola onde querem.

É isso mesmo, meus caros. O guarda-redes de Portugal teve dois jogos relativamente tranquilos no arranque do Mundial (Congo e Uzbequistão), quase sem trabalho para defender. Depois, porém, frente à Colômbia e à Croácia, apareceu o Salvador cujas mãos ampararam Portugal. Contra os sul-americanos, somou seis enormes intervenções (Córdoba, Jhon Arias, Puerta, James, de novo Puerta e outra vez Jhon Arias) e perante os europeus mais quatro (Kovacic por duas vezes, Baturina e Matanovic). Somando as notas que os jornalistas de A BOLA lhe atribuíram nestes quatro jogos, Diogo Costa contabiliza 26 pontos. Nenhum outro jogador da Seleção chegou lá.

O número 1 de Portugal já é, desde o embate com a Colômbia, o guarda-redes português com mais jogos em fases finais de Campeonatos do Mundo: 9. Diogo Costa disputou os cinco encontros de Portugal no Mundial 2022 e, até agora, os quatro no Mundial 2026. Se nada de estranho acontecer, cumprirá diante de Espanha o seu 10.º jogo em fases finais da maior prova do futebol mundial. Para trás ficaram nomes históricos das balizas portuguesas como Ricardo, Vítor Baía, Rui Patrício, Bento ou Damas. O guardião do FC Porto junta-se ainda a dois nomes que estiveram presentes em três Campeonatos do Mundo: Eduardo e Rui Patrício.

Mas Diogo Costa já não se pode equiparar apenas a guarda-redes. Quando Portugal defrontar a Espanha, deixará Pauleta (9 jogos em Mundiais) para trás, igualará Figo, Ricardo Carvalho e William Carvalho (todos com 10), ficando a apenas um jogo de Simão (11) e a dois de Pepe (12). Atualmente, no plantel, só tem três convocados à sua frente: Ronaldo (26), Bernardo Silva (12) e Bruno Fernandes (10).

Os eternos suplentes

Na história das grandes competições, há os titulares, os suplentes e os suplentes que nunca chegam a saltar do banco. São os casos de Américo (1966), Jorge Martins (1986), Ricardo e Nélson (2002), Quim e Paulo Santos (2006), Beto e Daniel Fernandes (2010), Anthony Lopes e Beto (2018), Rui Patrício e José Sá (2022) e, para já, José Sá e Rui Silva neste Mundial de 2026.

Por outro lado, há casos muito especiais na história das redes nacionais. Ricardo foi suplente de Vítor Baía em 2002 e assumiu a titularidade indiscutível em 2006; Rui Patrício jogou em 2014 (lesionou-se logo após o primeiro jogo), em 2018 foi o dono da baliza e em 2022 acabou como suplente de Diogo Costa; Eduardo foi o titular em 2010 e jogou o último encontro em 2014; Beto esteve em três Mundiais (2010, 2014 e 2018), mas só somou minutos no Brasil.

O caso de Manuel Bento em 1986 também marcou a história: era o titularíssimo, mas partiu o perónio após o primeiro jogo, abrindo caminho para a entrada de Vítor Damas. Feitas as contas, Portugal só utilizou mais do que um guarda-redes em três edições de Mundiais: Joaquim Carvalho e José Pereira em 1966; Bento e Damas em 1986; Rui Patrício, Beto e Eduardo em 2014.

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