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Bruno Varela: «Não queremos fazer um grande Mundial e depois desaparecer»
A recuperar de lesão grave no joelho direito, Bruno Varela assistiu fora de campo à prestação de Cabo Verde no Mundial. O antigo guarda-redes do Benfica e do Vitória de Guimarães, que hoje representa o Al Hazm, da Arábia Saudita, falou com A BOLA e não escondeu a felicidade com a prestação dos tubarões azuis no Campeonato do Mundo, eliminados nos 16 avos de final pela campeã do mundo Argentina, que só venceu no prolongamento (2-3). Ainda que, para o guardião de 31 anos, não não foi necessariamente uma surpresa.
«Quem estava inserido no grupo tinha a noção de que Cabo Verde podia fazer coisas boas. Antes do Mundial já dizia que Cabo Verde tinha essa capacidade, sempre o disse porque quem está lá dentro sabe e percebe as qualidades que a equipa tem, o ambiente, o compromisso de toda a gente. Sabíamos que, levando isso para o campo, Cabo Verde poderia ter boas possibilidades», disse Bruno Varela. «Foi pena não ter acabado da melhor maneira, mais vitoriosa, mas acho que temos de estar todos orgulhosos por aquilo que Cabo Verde fez», adicionou.
A exibição frente à Argentina encheu as medidas do guarda-redes, que defendeu que as dificuldades não se deveram a demérito albiceleste, mas sim à qualidade que os tubarões azuis apresentaram em campo. «Se puséssemos alguém que não percebe nada de futebol a ver o jogo e disséssemos: ‘Destas duas equipas há uma que foi campeã no último Mundial’, acho que a pessoa ia ter muita dificuldade em responder qual era. Há quem queira por vezes tirar o mérito a Cabo Verde e dizer que a Argentina não esteve ao nível. Não, a Argentina esteve ao nível dela, mas acho que Cabo Verde esteve a um nível muito grande e teve a capacidade de equilibrar o jogo», disse Bruno Varela, que destacou a prestação do companheiro de posição, Vozinha: «Fez mais um grande jogo e destacou-se imenso. Esteve muito bem. Foi um pouco inglório sair desta maneira, mas que é merecida a ovação que teve, por todo o mérito que ele teve de sempre acreditar.»
Terminou assim a caminhada de Cabo Verde no Mundial 2026. Para Bruno Varela, o feito permitiu dar a conhecer a nação cabo-verdiana, mas tratou-se de mais um passo no crescimento da seleção. «As coisas correram bem, foi um feito incrível em todos os sentidos, conseguimos demonstrar ao mundo quem realmente é Cabo Verde, havia muita gente que não conhecia. Mas que seja o início de algo grande. É algo a que temos de dar continuidade, porque não queremos só fazer um grande Mundial e depois desaparecer. Temos de começar já a olhar para a frente. Vai começar a qualificação para a CAN, é importante estarmos presentes. As qualificações em África são difíceis. Acima de tudo é ter essa mentalidade de que as coisas correram bem e agora é dar continuidade para não ser só um episódio», completou.