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Mundial 2026 é dos guarda-redes e Diogo Costa destaca-se: «Dava-lhe a Luva de Ouro»
Os avançados continuam a decidir jogos, mas no Mundial 2026 há uma posição que tem conquistado cada vez mais protagonismo: a de guarda-redes. Para Ricardo Rebelo-Gonçalves, treinador de guarda-redes e autor do livro O Guarda-redes Também Joga, esta edição da prova está a confirmar a importância crescente dos homens da baliza, tanto nas grandes seleções como nas equipas menos mediáticas.
«Está a ser um Mundial onde os guarda-redes estão a revelar verdadeiramente a sua importância. Vimos na primeira fase alguns erros na fase de construção, muito pela insistência do tal jogo associativo, pela obrigação de jogar curto, mas a partir daí temos visto a real importância do guarda-redes, particularmente, em guardiões capazes de segurar a equipa nos momentos em que o adversário está por cima e a criar situações de golo iminente», destacou, em conversa com A BOLA.
O técnico lembra que o crescimento da posição é visível até em seleções de menor expressão, apontando exemplos como Eloy Room (Curaçau), Al Owais (Arábia Saudita), Alireza Beiranvand (Irão) ou Vozinha (Cabo Verde), todos eles em destaque ao longo da competição.
«Mesmo em países onde o futebol não é tão vincado e as condições de formação não são tão boas, essa evolução chegou. Muitos destes guarda-redes competem em campeonatos estrangeiros e o seu nível de formação enquanto atletas seniores teve um incremento qualitativo muito grande. Depois, a preparação para este tipo de torneios é realmente muito forte. Estamos a falar de jogadores que têm já níveis competitivos bastante assinaláveis e, por isso, vemos jogos competitivos e guarda-redes a aparecerem e a dar resposta nestes contextos.»
Entre as exibições que mais o impressionaram, Ricardo Gonçalves destaca vários nomes, mas coloca Diogo Costa num patamar muito especial. «Destaco as exibições do Diogo Costa, quer contra a Colômbia quer contra a Croácia. Numa equipa que tem algumas debilidades defensivas, o Diogo Costa diz presente e tem sido um garante de confiança, de segurança, de manter a equipa viva. O Alisson também me surpreendeu pela confiança e segurança que voltou a transmitir. Depois, o Vozinha marcou este Mundial e é incontornável o impacto que teve. O Bono continua a demonstrar uma estratégia muito estudada nas grandes penalidades e o Dibu Martínez e o Pickford também têm mostrado a importância que um guarda-redes pode ter no rendimento coletivo.»
Na análise ao guardião português, o especialista acredita que este Mundial representa o momento da sua afirmação definitiva ao mais alto nível. «O Diogo Costa está a assumir este Campeonato do Mundo como o palco de afirmação. Está a atingir um nível competitivo e uma maturidade competitiva de classe mundial. Do ponto de vista do jogo de pés é extremamente completo. Depois, defensivamente, é fantástico no um para um. Tem um instinto tremendo, uma comunicação excelente com a linha defensiva e uma estabilidade no posicionamento extraordinária.»
«Se havia dúvidas relativamente ao contexto de cruzamento, hoje já não há uma diferença tão grande para aquilo que é o nível global do Diogo. Está mais agressivo nos duelos aéreos, mais assertivo e tudo parte de um posicionamento muito mais focado em ler e identificar indicadores para tomar decisões eficazes. Se havia dúvidas até que ponto estava preparado para outros campeonatos, este Mundial está a dissipar qualquer dúvida. É efetivamente um dos melhores guarda-redes do mundo.»
Questionado sobre quem mereceria a Luva de Ouro caso o torneio terminasse agora, Ricardo Gonçalves admite algum patriotismo, mas não esconde a escolha. «Não consigo deixar aqui algum enviesamento porque o sangue português leva-me a viver o jogo de outra forma. Mas, pelo impacto que tem tido, dava ao Diogo Costa.»