Luisão: «O Benfica tem uma história maior do que qualquer episódio isolado»
Pouco depois da polémica entre Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni, Luisão decidiu intervir publicamente para condenar qualquer alegada atitude racista e defender o compatriota do Real Madrid. A posição do antigo capitão do Benfica gerou forte reação nas redes sociais — incluindo insultos e ameaças de teor racista dirigidos ao próprio. Perante esse cenário, o ex-central publicou uma longa mensagem, acompanhada de vídeo, onde reafirmou princípios e deixou claro que não se arrepende de ter falado.
«Passei grande parte da minha vida no Benfica. Cresci como jogador, como homem e como capitão. Conquistei títulos, vivi noites inesquecíveis e defendi aquela camisola com tudo o que tinha. O Benfica é parte da minha história. E é exatamente por isso, e não apesar disso, que me sinto na obrigação de falar», começou por escrever.
«Nos últimos dias, posicionei-me contra qualquer forma de racismo no episódio que envolveu o Vini Jr. Não por nacionalidade, nem por polémica, mas por princípio. Racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado. E não pode ser relativizado», continuou.
O antigo internacional brasileiro defendeu também que a celebração de um golo não pode servir de pretexto para insultos: «Tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um golo. E é preciso dizer o óbvio: dançar não é desrespeito, é expressão. O futebol sempre foi emoção. O que não pode ser aceitável é transformar uma comemoração em justificatição para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores. O respeito continua a valer dentro dele.»
«Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo. O Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa de prevalecer. O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio.»
Num apelo final à reflexão, escreveu: «O futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo. Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade.»
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