Luís Castro dá Liverpool de Klopp como exemplo após vitória gorda do Grêmio
Numa partida emocionante do Brasileirão na última madrugada, o Grêmio de Luís Castro operou uma reviravolta e venceu o Botafogo de Martín Anselmi por 5-3, garantindo a sua primeira vitória na competição à 2.ª jornada. O ex-Benfica Carlos Vinícius foi a grande figura do encontro ao marcar três golos, numa segunda parte demolidora da equipa da casa.
Os cariocas adiantaram-se (17') no marcador por Arthur Cabral, mas um erro de Mateo Ponte permitiu que Carlos Vinícius empatasse (26') ainda na 1.ª parte. O Botafogo voltaria (36') à liderança antes do intervalo, com um grande golo de Danilo, após assistência de Montoro.
No entanto, o segundo tempo pertenceu por completo ao Grêmio, que marcou quatro golos em menos de meia hora — Carlos Vinícius aos 50' e 57', este de penálti após falta de Alex Telles, Tetê aos 60' e Edenilson aos 79') — e Danilo só pôde reduzir (86') a margem de derrota do Fogão perto do apito final.
HAT TRICK! 🎩
— ge (@geglobo) February 5, 2026
O Grêmio contou com um Carlos Vinícius inspirado para vencer o Botafogo. O atacante marcou os três primeiros gols do Imortal, na vitória por 5 a 3.#Futebol #Brasileirão #Grêmio #Botafogo pic.twitter.com/6b1MaQaQbR
Após o jogo, o técnico português foi questionado sobre se a exibição da sua equipa refletia a identidade que pretende implementar e Castro recorreu a uma comparação com o futebol europeu para pedir tempo. O treinador lembrou o percurso de Jurgen Klopp no Liverpool para ilustrar que a construção de uma equipa vencedora é um processo longo.
Aquilo que lhe posso dizer é que eu gostei. E aquilo que nós queríamos era isso. Agora, não podemos esquecer que estamos numa fase muito inicial. Vou dar só um exemplo. O Liverpool do Klopp foi construído durante quatro anos sem ganhar. Só que pronto, o nosso mundo é o nosso mundo, o mundo dos outros é o mundo dos outros. Foram quatro anos, depois de quatro anos começou a ganhar, ganhar, ganhar.
O treinador não escondeu a sua satisfação com o resultado final, apesar dos três golos sofridos: «Naturalmente cometemos erros. Somos uma equipa em construção. São novas ideias que estamos a entregar à equipa e a tentar que ela as assimile. Se me disserem o que é que foi pior do jogo, os três golos sofridos, claro. O que é que foi melhor, os cinco golos. Toda a gente sabe que eu sou um adepto do futebol ofensivo e adoro ver a minha equipa fazer cinco golos. Se me disser: "Preferias ganhar 2-0 ou 5-3?" 5-3.»
Luís Castro deu, ainda, o exemplo do resultado do Casa Pia-FC Porto, em que os gansos venceram os dragões por 2-1, na última segunda-feira, como amostra da imprevisibilidade do futebol quando comparado com outros desportos.
«Aquilo que o futebol nos diz é que o jogo seguinte não tem nada a ver com o jogo de hoje, nem o que vem depois do jogo seguinte tem alguma coisa a ver com o jogo que vamos fazer. Portanto, um jogo não se liga aos outros. Por isso é que o futebol arrasta milhões e milhões e milhões de pessoas. A pessoa vai ao estádio e não sabe nada sobre o que vai acontecer. No basquetebol, a melhor equipa, que tem um orçamento muito grande, ganha à outra, de certeza. Não há hipótese. No ténis, se um jogador estiver em primeiro no ranking e o adversário em 50.º, o número um ganha... No futebol, não. Uma equipa que nunca ganhou pode, de repente, ganhar ao primeiro classificado. Aconteceu em Portugal, o Casa Pia ganhou ao FC Porto. Ainda não tinha ganho em casa e ganhou. É isto, o futebol é isto», afirmou o técnico português.
O Grêmio somou então os primeiros três pontos no campeonato, igualando o Botafogo na classificação.