Sporting defrontou (e venceu) o PSG na fase de liga da UEFA Champions League
Sporting defrontou (e venceu) o PSG na fase de liga da UEFA Champions League

O Brasileirão e a Champions

JAM sessions é o espaço de opinião de João Almeida Moreira, jornalista e correspondente de A BOLA no Brasil

Em certa medida, o Brasileirão é mais parecido com uma Champions League do que com um campeonato nacional europeu. Tudo bem, não na qualidade e muito menos no nível de organização — este cronista não quer puxar tanto a brasa à sardinha dele ao ponto de soar ridículo. Mas na, digamos, estrutura, assemelha-se.

Por exemplo, na Champions não há, salvo um Pafos aqui ou um Qarabag acolá, clubes pequenos. Claro que, frente a um PSG, o Sporting vai defender-se muito mais do que atacar, assim como o Benfica, o Galatasaray, o PSV, o Ajax, o Olympiakos quando defrontam tubarões da primeira linha.

Mas algum desses clubes, com títulos às dezenas e adeptos aos milhões, pode ser chamado de pequeno? No máximo, por estarem hoje em campeonatos que são da periferia do futebol, isto é fora das big five, são, continentalmente falando, clubes médios.

No Brasileirão, salvo excepções, como o Mirassol ou o Bragantino, também só há gigantes e médios. Como o Sporting com o PSG, o Coritiba também se vai defender muito mais do que atacar ao defrontar o multimilionário Flamengo. Mas pode chamar-se o Coxa de pequeno? Com 39 taças de campeão do Paraná e em torno de dois milhões de torcedores? Ou o rival Athletico Paranaense? Ou o Bahia e o Vitória? Ou mesmo o Sport, o Náutico e o Santa Cruz, o Ceará ou o Fortaleza, todos eles, por acaso, hoje na série B?

Ou o Remo, que está de volta à Série A depois de 21 anos, passa dos dois milhões de fãs e já ganhou 48 edições do estadual do Pará, um estado onde cabem duas Franças e ainda sobram uns Portugais?

Bom, a propósito do Remo e do tamanho continental do Brasil há mais uma semelhança entre Brasileirão e Champions League este ano: o Leão Azul faz o papel de Kairat Almaty. Com as inevitáveis escalas, a comitiva do Remo demorará oito ou 10 horas a chegar a Porto Alegre para defrontar Grêmio ou Inter. E de carro, só para se ter uma ideia, a viagem é estimada em oito dias a guiar sem parar. Quase a distância e o tempo de Almaty a Lisboa, percorrida pelo Kairat quando foi a Alvalade.

Mas, como o Brasileirão é uma maratona de 38 jornadas e não uma prova de tiro curto como a fase de liga da Champions, o site GE concluiu que o Remo vai dar duas voltas à Terra para disputar o campeonato nacional — quase 100 mil quilómetros!

Se esquecermos, então, os orçamentos dos clubes, a classe dos principais jogadores, o nível de organização da prova, a qualidade dos relvados ou a regularidade das arbitragens, há sim, muito em comum, entre a Champions e o Brasileirão que agora começa.

Nos autores dos golos, também: no Brasileirão, os brasileiros são quem marca mais, logicamente; na Champions de 2026, só os ingleses, com 50, superam os 39 golos de brazucas.