Seko Fofana e Terem Moffi reforçaram os dragões na reta final do mercado de janeiro - Fotos: FC PORTO
Seko Fofana e Terem Moffi reforçaram os dragões na reta final do mercado de janeiro - Fotos: FC PORTO

Golos ao Benfica e escola inglesa: viagem ao passado dos reforços do FC Porto

Mercado de inverno deu ao Dragão perfume africano com ares trazidos de Inglaterra. Moffi juntou os estudos ao futebol na Buckswood School. Fofana passou pelo Manchester City e marcou duas vezes às águias

O FC Porto encerrou o mercado de janeiro com as contratações de Terem Moffi e Seko Fofana, jogadores identificados por Francesco Farioli e pela SAD como as peças necessárias para suprir lacunas no ataque, face à ausência prolongada de Luuk de Jong, e no miolo — Eustáquio ruma ao Los Angeles FC e o técnico dos azuis e brancos queria um médio mais próximo das caraterísticas de Froholdt.

Internacionais por Nigéria e Costa do Marfim, respetivamente, o duo reforça o contingente africano no Dragão, até aqui composto apenas por Zaidu. Contudo, esse perfume traz, também, uma forte influência britânica. É que existe outro ponto comum entre os dois últimos reforços de inverno portistas: a passagem por Inglaterra, embora em contextos distintos, numa fase inicial da carreira.

Comecemos por Moffi. Natural de Calabar, cidade próxima da fronteira com os Camarões, o ponta de lança cedo estabeleceu uma relação próxima com a bola. Desde logo porque o pai, Leo Moffi, foi guarda-redes e chegou a partilhar o balneário dos Enugu Rangers com Jay-Jay Okocha e Taribo West, nomes maiores do futebol nigeriano. A família é um dos eixos que guia a vida de Terem e os irmãos (Bakaten, Karrishor e Ntobishor) não seguiram caminho semelhante ao do agora jogador do FC Porto por pouco. «Os dois irmãos mais velhos do Terem já tinham jeito para o futebol e ele mostrou um talento raro desde muito cedo. Mas o Bakaten até podia ter sido melhor do que o Terem, se não tivesse optado pelos estudos. Agora é médico», relatou o progenitor, em declarações ao site SoFoot, em 2021.

Terem Moffi (à direita) na companhia dos três irmãos - Foto: D. R.

Entre os 11 e os 17 anos, Terem Moffi desenvolveu-se na Clique Sports Academy, em Lagos. Por força da amizade entre o pai e Chuka Iwobi — pai de Alex, médio do Fulham —, passou a ser representado pelo agente Emeka Obasi. Foi em 2016/17 que surgiu o salto para terras de Sua Majestade, mas não pela via habitual. O atacante usufruiu de uma bolsa de estudos na Buckswood School, no sul de Inglaterra, onde pôde conciliar o futebol com a formação em gestão de empresas. Outrora «um médio preguiçoso», que deixava «o trabalho sujo para os outros» — admitiu o próprio, em entrevista à Sport Voetbal Magazine — Moffi evoluiu, no espaço de um ano, para um avançado goleador, que também tirou «boas notas» no curso. A parte mais difícil foi «a adaptação à comida inglesa». Hoje, Terem surge nas brochuras da Buckswood School como um dos sete melhores futebolistas que por lá passaram. E, a partir daí, foi sempre a subir: Lituânia, Bélgica e França.

Moffi num raro registo fotográfico do ano que passou na Buckswood School - Foto: Buckswood School

Os desempenhos no Lorient abriram-lhe as portas do Nice — brilhou com Farioli; mais tarde, superou uma lesão grave no joelho — e da seleção da Nigéria. Em 2023, sagrou-se vice-campeão da CAN e foi um dos condecorados com a Ordem do Níger, a segunda maior distinção a nível nacional. No FC Porto, procura redescobrir o potencial que fez dele nome de vulto no futebol gaulês.

Um especialista na caça à águia

Muito antes de virar sensação no Lens e rumar, depois, ao Al Nassr de Cristiano Ronaldo, Seko Fofana amadureceu na academia do Manchester City. Descoberto pelo gigante inglês nas escolas do Paris FC, a mais recente cara nova do FC Porto causou sensação entre 2012 e 2014, deixando antever um futuro promissor no emblema citizen. Não veio a acontecer: em 2014/15 foi cedido ao Fulham, para ganhar tarimba, e ao Bastia na temporada seguinte. Acabaria por ser vendido, já em 2016, à Udinese, de certa forma para colmatar a saída de... Bruno Fernandes, para a Sampdória.

Seko Fofana em ação pelo Manchester City - Foto: Manchester City

Contudo, o internacional costa-marfinense deixou excelentes impressões nas equipas de juniores e de reservas do clube de Manchester. Em 2013/14, aliás, esteve entre os quatro nomeados para o prémio de Jogador do Ano da formação, tal como o português Rony Lopes, na altura capitão do City na Youth League.

Coincidência ou não, a verdade é que, na passagem por Inglaterra, Fofana desenvolveu uma curiosa apetência para marcar ao... Benfica. Sim, leu bem. O médio defrontou as águias duas vezes, uma na Youth League, outra na Premier League International Cup, e fez o gosto ao pé em ambas. Na versão jovem da Liga dos Campeões, anotou um golaço, do meio da rua, ainda assim insuficiente: os encarnados acabariam por eliminar o Man. City (1-2), com tentos de Gonçalo Guedes e Estrela. Na outra ocasião, diante do Benfica B, também marcou e... saiu a sorrir, pois aí, na Premier League International Cup, venceu por 3-1.

Admirador confesso de Yaya Touré — escolheu o 42 no FC Porto em homenagem ao compatriota — Seko Fofana ainda experienciou um episódio de alegado racismo num jogo particular entre o City e o Rijeka, em 2014, que levou a que os seus colegas abandonassem a partida. Um episódio que o médio quis deixar no passado... ao contrário do apetite goleador que o Benfica lhe desperta.