Primeiro justiça no tribunal e só depois folia no Carnaval (crónica)
A festa da Taça é tão bonita - principalmente, quando dá possibilidade de ver equipas de escalões secundários portarem-se como verdadeiros gigantes. Foi precisamente isso que Fafe e Torreense fizeram, na noite desta quarta-feira, perante 3.112 espetadores (com cerca de 300 que vieram desde Torres Vedras).
Os justiceiros renegaram, desde logo, qualquer tipo de folia, no seu tribunal, e impuseram-se na primeira parte. Foram várias as oportunidades criadas pela equipa da casa, especialmente pela esquerda, onde o duo Carlos Daniel-Breno Pais foi uma dor de cabeça para David Bruno.
Apesar de um ascendente da turma orientada por Mário Ferreira, com vários remates e cruzamentos, foi o Torreense a ter a primeira grande oportunidade de golo, aos 35', logo depois de começar a chover muito. No meio de tanta água, terá caído também uma pinga de sorte (ou audácia) aos fafenses, que os impediu de sofrer. Na sequência de um pontapé de canto, Léo Azevedo cabeceou cheio de força, mas João Gonçalo mostrou grandes reflexos e defendeu, fazendo a bola embater no poste.
João Oliveira, o único dos minhotos que já sabia o que era jogar uma meia-final da prova rainha (fê-lo em 2019/20 pelo Académico de Viseu), abriu a contagem aos 43', de cabeça - tal como já tinha feito (duas vezes) nesta edição contra o Arouca.
Havia justiça ao intervalo, mas, na etapa complementar, a história foi diferente. O juiz Miguel Nogueira impôs ordem na sala e expulsou (55') o guardião, João Gonçalo, após uma falta que cometeu fora de área sobre Zohi, quando este aparecia isolado. Os forasteiros marcaram no livre conquistado nesse lance (batido com grande classe por Manu Pozo) e, a partir daí, passaram a dominar.
É caso para dizer que aquele cartão deu um Pozo de energia aos reis do Carnaval. A turma do Oeste carregava em busca do 2-1, sufocando os fafense (que pouco conseguiram sair para o ataque), até Costinha ser expulso aos 89'. Novamente com as equipas em igualdade numérica e galvanizados pelos adeptos na bancada, após esse lance, minhotos regressaram ao domínio do jogo e tiveram oportunidades de voltar a passar para a frente, já em período de descontos. Contudo, o marcador não mais mexeu.
No final, dois golos, duas expulsões e dois sonhos bem vivos. A eliminatória vai agora para intervalo. Fafe e Torreense voltam a defrontar-se a 22 de abril, na segunda mão, em Torres Vedras.
As notas dos jogadores do Fafe (4x2x3x1): João Gonçalo (5); Diogo Castro (6), Leandro Teixeira (5), João Batista (5) e Breno Pais (7); Filipe Cardoso (6) e Vasco Braga (6); Ká Semedo (5), João Oliveira (7) e Carlos Daniel (7); João Santos (5); Manu (6), Zé Oliveira (5), Picas (6), Tiago Veiga (5), Théo Fonseca (5)
As notas dos jogadores do Torreense (4x2x3x1): Unai Pérez (5); David Bruno (5), Stopira (6), Ali-Diadié (5) e Javi Vázquez (6); Léo Azevedo (5) e André Simões (5); Manu Pozo (7), Pité (5) e Ismail Seydi (6); Kévin Zohi (5); Guilherme Liberato (6), Costinha (5), Quintero (-), Alejandro Alfaro (-)
Mário Ferreira, treinador do Fafe
Acho que o Fafe foi superior, nos momentos ofensivos e defensivos. Após a expulsão, que me deixa algumas dúvidas, foi difÍcil entrar no jogo. Quando a equipa se apanhou em igualdade numérica, conseguimos igualar novamente o jogo. Foi um resultado justo. O Fafe pode sonhar.
Luís Tralhão, treinador do Torreense
Claro que a expulsão foi importante, num jogo que estava a ser difícil para nós. Mas soubemos procurá-la, já estávamos melhor no jogo. Não estávamos á espera que o relvado estivesse nestas condições e isso condicionou um bocadinho o nosso trabalho.