(Lim)bombe lançada para a área desabou a vantagem viseense (crónica)
Num jogo eletrizante, Marítimo e Académico de Viseu terminaram empatados no Caldeirão e deixaram o relvado com sentimentos diferentes. Os madeirenses mais satisfeitos por terem regatado um ponto depois de irem para intervalo com uma desvantagem de dois golos e os viseenses frustrados por não terem conseguido aguentar esse avanço. Num embate entre irmãos gémeos, Romain e Anthony, o empate deixou a Família Correia satisfeita.
O Marítimo entrou determinado, mas não foi perigoso. Teve posse de bola, instalou-se no meio-campo adversário, mas foi estéril no último terço. Ao contrário dos viseenses, muito rápidos a soltarem-se em transições que colocavam os homens da frente em posição de finalização com alguma facilidade. E quando se tem um avançado como André Clóvis, o golo está sempre próximo e foi isso que aconteceu. O avançado aproveitou um lançamento de linha lateral para marcar, a meio da primeira parte.
Antes de adquirir vantagem, o Académico criou duas situações para se adiantar, ambas negadas por Alfonso Pastor, num cabeceamento de Clóvis e num chapéu do meio-campo de André Ceitil.
Sempre confortável e a explorar bem o corredor direito com o acutilante Gohi, os viseenses deixavam intranquila a defesa local e num erro aumentaram o avanço. Um atraso de cabeça de Rafael Fernandes para o seu guarda-redes saiu curto e Messeguem (um dos melhores em campo) aproveitou para ganhar a bola e faturar.
Como muitos defendem, uma vantagem de dois golos é boa, mas não segura. Porque se a equipa que está em desvantagem marca, pode mudar tudo, principalmente contra as que nunca desistem, como é o caso do Marítimo, como ficou evidenciado na ronda anterior, quando virou o resultado em Famalicão. E a viragem, foi (quase) completa.
Porém, os viseenses até poderiam ter arrumado a questão logo após o intervalo, mas viram um golo de André Clóvis ser anulado por posição irregular.
Depois, sempre com uma atitude muito competitiva, garra e com a força vinda das bancadas – mais uma enchente no Caldeirão, com a presença de 9135 espetadores – a equipa madeirense chegou-se à frente e ao empate. Paulo Henrique reduziu após confusão na área e Limbombe, lançado por Van der Gaag para o tudo ou nada, cruzou para a área e Ceitil agarrou Butzke, abrindo caminho para ruir a vantagem da sua equipa, com o espanhol a não desperdiçar para empatar, e prolongar a invencibilidade do Marítimo na Liga.
Não admira que o avançado espanhol esteja a ser cobiçado nestes últimos dias do mercado. É certo que não tem muitas finalizações, mas é um jogador solidário que dá tudo em prol do coletivo. Muito agressivo, chateia os defesas na primeira fase de construção, e é normal vê-lo na sua área a varrer o perigo, como aconteceu nos descontos, depois de ter frieza para empatar de penálti, aos 88 minutos.
As notas dos jogadores do Marítimo (4x2x3x1): Alfonso Pastor (6), Igor Julião (5), Rafael Fernandes (4), Romain Correia (5), Paulo Henrique (6), Rodrigo Andrade (6), Danilovic (5), Simo (5), Raphael Guzzo (5), Martín Tejón (6), Adrian Butzke (7), Maurice Boakye (5), Samy Bamba (5), Limbombe (5), Maxime Dominguez (-)
André Clóvis, não perdoa! O avançado é um goleador nato e voltou a deixar a sua marca, depois de ter faturado frente ao Benfica, na 1.ª jornada. E não precisa de muitas oportunidades para o fazer. Teve duas, marcou uma, e, por infelicidade teve um golo anulado por fora de jogo, num remate de Anthony que desviou nas suas pernas. Pastor impediu-o de festejar aos 10’, mas não teve a mesma sorte aos 25’.
As notas dos jogadores do Académico de Viseu (4x1x4x1): Ewerton (5), Robinho (5), Anthony Correia (6), Michelis (5), Pedro Barcelos (5), Ceitil (6), João Guilherme (5), Kahraman (5), Messeguem (7), Gohi (6), André Clóvis (7), Steczyk (5), Álvaro Zamora (5), Mestanza (5), Luís Silva (-) e Gustavo Costa (-).
Mitchell van der Gaag, treinador do Marítimo
«Cada ponto é importante para o nosso objetivo, a manutenção. A equipa tentou, teve muita vontade, mas não esteve a 100%. O Académico é muito perigoso nas bolas paradas, marcou e sofremos outro golo antes do intervalo. Já conhecia o espírito da equipa, mas a dinâmica com os adeptos é muito forte e eles empurraram-nos para o empate. Tivemos a sorte – não posso dizer sorte… – de terem anulado o 3-0 e depois, mesmo sem jogar grande coisa, o espírito fez muito, e chegámos ao empate.»
Bruno Pinheiro, treinador do Académico de Viseu
«Não posso estar satisfeito, porque estávamos a ganhar 2-0, a controlar o jogo e perder dois pontos é desagradável. A equipa evoluiu desde a última jornada, fomos pacientes ofensivamente e defensivamente conseguimos controlar as emoções. A determinado momento não conseguimos jogar mais, é o que é. Acabámos por perder 2 pontos. Recuo na 2.ª parte? Foi forçado pelo adversário e por outras razões…»