Leclerc criticou os travões pelo acidente do Mónaco e agora quer iguais aos de Hamilton
Charles Leclerc vai alterar o sistema de travagem do seu Ferrari para o que utilizada o colega de equipa, Lewis Hamilton, após ter culpado o sistema pelo despiste no Grande Prémio do Mónaco.
O acidente de Leclerc ocorreu na fase final da corrida no Mónaco, quando o carro deslizou contra as barreiras na curva Antony Noghes. O piloto atribuiu de imediato a culpa aos travões, descartando outras possíveis causas como a degradação do asfalto na pista.
«Dos quatro travões, três não estavam a funcionar», explicou Leclerc após a corrida. «O dianteiro esquerdo funcionava bem, o dianteiro direito funcionava a meio e os dois travões traseiros não funcionavam de todo. E quando digo de todo, é que nos dados não há qualquer desaceleração. É como se as pinças nem estivessem no carro».
A situação levou Leclerc a anunciar que iria adotar a configuração de travagem preferida por Hamilton. A polémica adensou-se quando a Brembo, fornecedora de travões da Ferrari, emitiu um comunicado a expressar desagrado com os comentários do piloto, o que acabou por lançar mais luz sobre a questão.
A origem desta divergência remonta ao fim de semana do Grande Prémio do Japão. Hamilton, que já utilizava discos de travão da Carbone Industrie na Mercedes, manifestou o desejo de fazer essa troca «há muito tempo». Leclerc testou os discos da Carbone Industrie em Suzuka, mas optou por manter os da Brembo. Ambos os pilotos, no entanto, utilizam pastilhas e pinças da Brembo.
«Analiso todos os elementos que temos e vejo como podemos melhorá-los, mas, em última análise, tudo se resume à preferência e à sensação do piloto», comentou Hamilton. «Ambos testámos a opção e o Charles não a quis na altura, escolheu a que tem e agora mudou de ideias. Para mim não faz diferença, não é um fator isolado que tenha feito a diferença, e o meu objetivo é dar o meu contributo para elevar toda a equipa, e o Charles faz parte disso».
Na antevisão do Grande Prémio de Barcelona, Leclerc confirmou a mudança, embora com cautela. «Acho que agora é claro que provavelmente vamos alterar um pouco a configuração. Quanto irá mudar, ainda tenho de testar para ver. Não espero uma revolução», afirmou. «Foi uma decisão que tomámos como equipa, ter os carros divididos. Os últimos dois fins de semana foram mais difíceis do que eu previa inicialmente. Agora vamos na direção do Lewis».
A Ferrari tem um conjunto de atualizações planeadas para a corrida em Barcelona, mas terá de ter o cuidado de evitar que os dados recolhidos sejam distorcidos por esta variável adicional no carro de Leclerc.