Antes das receitas, a credibilidade
Com mais de 4,5 milhões de adeptos nos estádios das competições profissionais, é fácil olhar para o futebol apenas pelo que acontece dentro das quatro linhas. Mas há muito que o futuro da nossa indústria também se constrói fora delas, através do diálogo entre clubes, entidades públicas e todos os que têm responsabilidade na proteção e valorização do futebol português.
Foi isso que voltou a ficar evidente na recente reunião entre a Liga Portugal e o Governo. Entre temas como a pirataria, a contrafação, a venda ilegal de bilhética ou a segurança dos espetáculos desportivos, emergiu uma ideia principal: a centralização dos direitos audiovisuais dependerá da confiança que todos formos capazes de construir.
A confiança é, aliás, um princípio que conheço bem da minha experiência na banca. O valor de qualquer instituição não assenta apenas nos seus resultados, mas na credibilidade dos seus processos, na transparência das suas práticas e na confiança que transmite aos seus stakeholders. No futebol, não é diferente.
A centralização representa uma oportunidade única para valorizar as competições profissionais e criar um modelo mais forte para as próximas gerações. Mas nenhum ativo coletivo atinge o seu potencial sem rigor, transparência e responsabilidade.
É por isso que o compliance assume um papel decisivo. Não como mera obrigação regulamentar, mas como um fator de valorização e sustentabilidade.
Nesse sentido, a Liga Portugal está agora a encetar um contacto direto com as sociedades desportivas sobre o fair-play financeiro, reforçando um caminho que tem vindo a percorrer na promoção das melhores práticas de governação e integridade.
Também por isso foi particularmente importante verificar a sensibilidade demonstrada pelo Governo para estas matérias. Porque proteger os direitos audiovisuais, combater a pirataria e reforçar a integridade do setor é proteger o valor do futebol português.
No final, o sucesso da centralização não será medido apenas pelas receitas que gerar. Será medido pela confiança que inspirar junto dos adeptos, dos clubes, dos investidores e dos parceiros. Porque, antes de ser um projeto financeiro, a centralização é um projeto de credibilidade coletiva. E é essa credibilidade que fará a diferença.