Sétimo pódio no Tour para Pogacar (IMAGO)
Sétimo pódio no Tour para Pogacar (IMAGO)

Por favor, Tadej, não fales com a Oprah...

Pogacar é um monstro: quinto Tour no bolso e com apenas 27 anos. Nunca alguém o fizera! E que dizer de Nélson Évora? Enorme, meus caros, enorme!

Tadej Pogacar, Pogi para os amigos, não é deste Mundo. Ninguém sabe a que planeta o esloveno pertence, se a Júpiter, Saturno, Urano, Mercúrio, Vénus ou Neptuno. Uma coisa é certa: não é terrestre. Se quem conclui uma Volta a França é, por si só, um herói do desporto mundial, que dizer de quem termina sete e ganha cinco? É um E.T. Pogacar merecia que, entre 2020 e 2026, espaço temporal em que foi o mais forte em cinco Tours e perdeu dois para Jonas Vingegaard, a sua vida fosse filmada por Steven Spielberg, tal como o E.T. the Extra-Terrestrial de 1982. Pogacar sobe sentado o que os outros sobem a pedalar em pé. Pogacar sorri, quando os outros sofrem; o coração de Pogacar bate a 100 por minuto, quando o coração de todos os outros bate a 120 ou 130. Um monstro. Como Pelé ou Maradona; Michael Jordan ou LeBron James; Usain Bolt ou Eliud Kipchoge; Michael Phelps ou Mark Spitz; Jonah Lomu ou Jonny Wilkinson

Há agora cinco homens que ganharam cinco Tours: Jacques Anquetil, Monsieur Chrono; Eddy Merckx, o Canibal; Bernard Hinault, Le Patron; Miguel Indurain, Big Mig; e agora Tadej Pogacar, Pogi. Merckx ganhou o quinto Tour aos 29 anos. Anquetil aos 30. Hinault e Indurain aos 31. Pogacar tem 27. Ou seja, tem mais três ou quatro anos para ser o primeiro a chegar aos seis. Entre 1999 e 2005, doses animalescas de eritropoietina, testosterona, cortisona e hormona do crescimento ganharam sete Tours de enfiada, mas a marosca descobriu-se.

Todos os que gostam de desporto e de ciclismo em particular esperam agora que Tadej Pogacar não nos surpreenda, no futuro, pela negativa. O ciclismo é uma modalidade fisicamente arrasadora e a Volta a França ainda o é mais. Como Joaquim Agostinho dizia ao grande Carlos Miranda nas décadas de 70 e 80, «não se sobe o Alpe D'Huez com bife grelhado e água Evian». Ninguém pede, assim, a Pogacar ou a outro qualquer Pogacar, antigo ou futuro, que se alimente, apenas e só, de bifes grelhados e goles de água Evian, mas, por favor, Tadej, não nos desiludas. Não queremos que vás, um dia destes, conversar com Oprah Winfrey e confesses o que Lance Armstrong confessou a 17 de janeiro de 2013:

- Alguma vez tomou substâncias proibidas para melhorar o seu rendimento no ciclismo? - Sim. -Uma dessas substâncias proibidas foi EPO?

- Sim.

- Alguma vez fez doping sanguíneo ou usou transfusões de sangue para melhorar o seu rendimento no ciclismo?

- Sim.

- Alguma vez usou outras substâncias proibidas, como testosterona, cortisona ou hormona do crescimento humano?

- Sim.

- Em todas as suas sete vitórias na Volta a França, alguma vez tomou substâncias proibidas ou fez doping sanguíneo?

- Sim.

Por favor, Tadej, sê sincero e responde sempre não a tudo, ok?

Por último, Nélson Évora: campeão olímpico, campeão do Mundo, campeão da Europa e, por fim, campeão de Portugal. Anteontem, aos 42 anos (!), o 13.º título de campeão de Portugal. Apenas uma vírgula num dos mais completos currículos de atletas portugueses. Já não é o recordista nacional de triplo salto, mas mantém-se, intocável, no coração dos portugueses. E que bonito foi ver o seu sorriso de medalha ao peito, ao lado de outro craque: Mário Aníbal.

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