(L)azar de Carevic e Realpe tiraram o Sorriso ao Famalicão (crónica)
Vitória surpreendente! Depois de derrotar o Casa Pia no regresso à Liga, o Marítimo ganhou em Famalicão num jogo marcado por dois erros inacreditáveis. A equipa de Carlos Carvalhal até começou mesmo a ganhar, mas sofreu a reviravolta ao cair do pano com muitas culpas para Lazar Carevic e Léo Realpe.
Até foram os madeirenses quem criaram a primeira oportunidade de perigo no jogo, mas Carevic defendeu o remate de Tejón num excelente cruzamento de Butzke (3').
Quem não marca sofre e o golo surgiu cinco minutos depois na sequência de três cantos consecutivos de Aranda, que foi titular pela primeira vez em um ano e três meses depois de uma grave lesão. À terceira foi de vez com Van Breemen a estrear-se a marcar num cabeceamento exímio.
A verdade é que, na primeira parte, os forasteiros foram mais perigosos, embora o golo não tenha acontecido propriamente por mérito próprio. Num lançamento rápido de Rodrigo Pinheiro para o guarda-redes, Carevic falhou o passe de primeira, Butzke atirou ao poste quase com a baliza aberta e, na recarga, Simo Bouzaidi fez o golo do empate.
Até ao intervalo, o Famalicão foi dominando a posse de bola, mas não conseguiu traduzir em situações de perigo. Por isso, insatisfeito com os primeiros 45 minutos, Carvalhal fez uma tripla substituição ao intervalo e lançou Gil Dias e Pedro Santos, as únicas duas mudanças que fez para este onze inicial comparativamente ao jogo do Estoril, e também estreou Leny Meyer.
O ex-Benfica trouxe outra energia e a segunda parte foi completamente da equipa da casa. Domínio, bom futebol, algumas oportunidades, mas sem qualquer eficácia. Sorriso ameaçou o 2-1 de cabeça, a cruzamento de Gil Dias, depois num remate de longe e num pontapé acrobático, sem sucesso. O brasileiro foi de longe o melhor elemento do segundo tempo ao trazer velocidade ao jogo, mas foi traído por outro erro na defesa.
Boakye ameaçou o golo aos 87' numa rara oportunidade do Marítimo na reta final e depois foi-lhe oferecido o golo da vitória já na compensação. Realpe só tinha a tarefa de afastar o perigo, mas saiu mal o alívio, acertou no capitão e a bola foi parar aos pés do adversário, que atirou a bola entre as pernas do guarda-redes. Mais uma infelicidade e sem tempo para corrigir.
Esta foi a primeira vitória do Marítimo em Famalicão este século, não acontecia desde 1994, e os três pontos significam que o clube iguala o Arouca e o FC Porto no topo da tabela, apesar de ter uma diferença de golos inferior.
O brasileiro foi, a par de Van Breemen, o melhor jogador do Famalicão nesta partida, tendo-se destacado na segunda parte numa altura em que a equipa precisava da vitória. O extremo tentou o golo de todos os feitos e feitios, usando a sua velocidade e técnica para também criar situações de perigo para os colegas, mas sem sucesso. Já o neerlandês foi o líder da defesa, sem culpa nos golos, e marcou num belo cabeceamento.
As notas dos jogadores do Famalicão (4x3x3): Carevic (4); Rodrigo Pinheiro (5), Realpe (3), Van Breemen (7) e Pedro Bondo (5); De Amorim (6), Van de Looi (6) e Paulo Moreira (5); Aranda (6), Koutsias (5) e Sorriso (7); Gil Dias (6), Pedro Santos (6), Meyer (5), Abubakar (5) e Beney (-)
O extremo marroquino esteve em destaque na primeira parte, não só pelo golo marcado, em que estava no sítio certo para o fazer, mas tentou dar profundidade à equipa nos primeiros 45 minutos, tendo sido relegado para um papel defensivo no segundo tempo.
As notas dos jogadores do Marítimo (4x3x3): Pastor (6); Igor Julião (5), Rafael Fernandes (6), Romain Correia (6) e Paulo Henrique (5); Danilovic (5), Rodrigo Andrade (6) e Raphael Guzzo (6); Simo Bouzaidi (7), Butzke (6) e Martín Tejón (6); Bamba (5), Boakye (7), Tomás Tavares (5), Szalai (-) e Ayuma (-)
Carlos Carvalhal, treinador do Famalicão
Não fizemos uma boa primeira parte, fizemos alterações ao intervalo e fomos uma equipa muito mais acutilante na segunda parte perante um adversário que se fechou muito. Tivemos ocasiões de golo suficientes para ganhar o jogo, mas tínhamos de as concretizar. Estava frustrado por estarmos empatados e depois... dois brindes. Foi um Natal antecipado. Temos de nos agarrar às coisas positivas, mas em alta competição não se podem sofrer estes dois golos. É um golo que normalmente se sofre nos iniciados e nos infantis. Só espero que isto só aconteça uma vez na época.
Mitchel van der Gaag, treinador do Marítimo
Mostrámos qualidade na primeira parte, a primeira oportunidade foi nossa. Depois sofremos o golo e a equipa respondeu bem. Na segunda parte houve mais bola para o Famalicão, mas a equipa sabe sofrer e faz parte do jogo. O objetivo do Famalicão é muito diferente do nosso, o nosso é muito simples: a permanência. Cada ponto é importante, lutámos por isto e na parte de final lutámos tanto que ganhámos o jogo. A equipa mostrou união, se pensarmos que vai ser igual à época passada... não vai acontecer. Chegar aqui, sofrer e marcar... tivemos sorte, mas ainda falta muito campeonato. Não ganhamos desde 1994 aqui? Eu nunca joguei aqui [risos].