Samu recorda recuperação: «Há dias em que nem sequer te apetece levantar da cama»
De regresso aos relvados após uma paragem prolongada, Samu abordou a fase difícil que ultrapassou. Em declarações a Pablo Villa, no programa La Tribu da Radio MARCA, o avançado do FC Porto, que voltou às opções de Farioli no clássico com o Benfica, detalhou o processo de recuperação de uma grave lesão e a emoção sentida ao voltar a competir.
O jogador, que recuperou de uma rotura do ligamento cruzado — problema físico que o impediu de comparecer na seleção de Espanha —, festejou o regresso aos relvados. «A verdade é que foi um caminho muito longo. Graças a Deus chegou ao fim», confessou Samu, destacando a calorosa receção dos adeptos: «A forma como o estádio me recebeu foi incrível, algo que nunca vou esquecer.»
A reaparição do ponta de lança acabou por suceder mais cedo do que o inicialmente previsto. «Não estava planeado regressar nesse jogo, mas no final tudo correu como tinha sonhado», explicou, referindo que as boas sensações nos treinos levaram os médicos a concederem-lhe a respetiva alta clínica.
Samu não escondeu os períodos de grande desgaste anímico durante a reabilitação. «Há dias em que nem sequer te apetece levantar da cama. Há dias em que dás um passo e sentes-te mais perto e, se calhar, no dia seguinte não te sentes como pensavas que te ias sentir. É um acumular de emoções», relatou, sublinhando que a experiência o fez valorizar ainda mais o quotidiano desportivo.
O avançado admitiu ainda o impacto imediato ao saber da gravidade do problema físico: «A primeira coisa em que pensei, não vou mentir, foi no Mundial.» O desabafo emocional ressurgiu no apito final da partida de regresso: «A última vez que chorei foi quando terminou o jogo em que voltei a jogar. No fundo, é como uma libertação de que tudo já passou.» Atualmente, a confiança está restabelecida: «Sinceramente, quando me vejo a treinar, é como se não me tivesse lesionado. Até me sinto melhor do que antes.»
Questionado sobre a passagem pelo Atlético Madrid, onde acabaria cedido ao Alavés, o jogador relembrou a intensidade dessa etapa. «Esta história foi como um filme. Vivi tudo muito intensamente porque me contrataram quando eu era ninguém», assumiu, reiterando a gratidão pelo emblema madrileno, apesar dos momentos complexos vividos antes da despedida: «Aconteceram muitas coisas que também não quero contar, porque foi um período em que passei muito mal.»
Em relação a Diego Simeone, Samu afastou qualquer sentimento de rancor: «Não tenho nada contra ele. É uma luta de interesses e acho que foram coisas do passado que a pessoa acaba por esquecer. Também não sou rancoroso.»
Com o regresso aos relvados consumado, Samu definiu como meta a reintegração na seleção espanhola. «É um objetivo regressar o quanto antes, estar na dinâmica com eles e poder desfrutar da seleção. Sei que é difícil, mas confio muito em mim. Sei que, se fizer as coisas bem, tenho grandes hipóteses de voltar», frisou.
A terminar, o avançado pronunciou-se sobre a atribuição do prémio da Bola de Ouro, apontando a sua preferência: «No fim de contas, daria a um espanhol, mas particularmente daria ao Lamine, porque é um jogador diferenciador. É o escolhido. Temos a sorte de desfrutar dele na seleção e oxalá possa levar o troféu para casa», concluiu.
«Devo tudo ao mister Farioli»
«Devo tudo ao mister Farioli. Ele sempre confiou em mim, desde o primeiro dia, mas desde a lesão que ainda confiou mais. Transmitiu-me muita confiança, encorajou-me e ajudou-me em tudo o que precisava. Tudo isso foi muito importante para mim. Não sabia se ele ia continuar a contar comigo depois da lesão, mas ele deu-me esse voto de confiança, disse-me que contava comigo e mostrou-me o quão importante sou para ele. Sinto-me muito grato. Nem todos os treinadores agem assim», afirmou, falando sobre a concorrência no ataque: «O nosso plantel é super completo e isso exige muito de nós os três nos treinos e nos jogos. Estou muito feliz por ter o André Silva e o Santiago Gimenez na equipa. Aprendemos muito uns com os outros. Eu sou o mais jovem dos três, tenho muito para aprender com eles e isso vai tornar-me melhor jogador. A competição exige muito mais de nós no dia a dia e, no final, o mister é que decide quem joga. O mais importante é ajudar a equipa.»
«Estamos num clube de topo a nível mundial. Quando os adeptos me encontram na rua, a primeira coisa que me dizem é que tenho de ganhar. É este o ambiente que se vive aqui. Sentimos muita pressão, mas é uma pressão positiva, porque temos de honrar este emblema. Só pensamos em ganhar. O apoio dos adeptos é muito importante, porque sem eles seria muito mais difícil», destacou, rematando: «O nosso segredo é sermos uma equipa. É disso que mais gosto neste grupo. Somos uma família e lutamos uns pelos outros. Está tudo a correr bem. O ano passado foi incrível. Voltámos a ganhar o campeonato três anos depois. Com a chegada do mister Farioli, passámos a respirar outro ar e a verdade é que este ano também começámos bem, a ganhar todos os jogos nas competições internas. Estamos muito felizes, mas sabemos que este é apenas o início de uma caminhada muito longa. Temos de manter os pés bem assentes no chão e perceber que o nosso limite somos nós próprios. A nossa ambição é ganhar todos os jogos, mesmo que sejam amigáveis. É isso que faz com que este clube seja grande. Estamos muito felizes e confiantes em relação ao futuro.»
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