O desentendimento entre Vinícius Júnior e Prestianni no Estádio da Luz — Foto: IMAGO
O desentendimento entre Vinícius Júnior e Prestianni no Estádio da Luz — Foto: IMAGO

O Comité Técnico de Árbitros (CTA) de Espanha decidiu não implementar a chamada lei Prestianni/Vinícius na próxima época, alinhando-se com a diretriz da UEFA. No entanto, a nova temporada da LaLiga será marcada por uma forte aposta no combate às perdas de tempo, com novas medidas a serem aplicadas, incluindo um pedido ao IFAB para penalizar simulações de lesões por parte dos guarda-redes.

A decisão foi tomada durante a concentração de árbitros da Primeira Divisão e VAR em Las Caldas, nas Astúrias, onde se preparam as diretrizes para a nova época. A lei Prestianni/Vinícius, que previa a expulsão direta para jogadores que tapassem a boca durante discussões para evitar a leitura labial de insultos, foi descartada após ponderação, numa decisão que contrasta com a da FIFA.

O CTA, que inicialmente hesitou, optou por seguir a recomendação da UEFA. A principal preocupação, segundo Fran Soto, presidente do CTA, é a dificuldade em provar a intenção do jogador. «Deixar uma equipa com 10 jogadores sem ter a prova evidente se o disse ou não...», confessou, explicando que o gesto é frequentemente usado para conversas táticas sem qualquer insulto. «Há que ver se desta forma ou com outras medidas se pode lutar contra esses comportamentos», acrescentou.

Apesar de rejeitar esta regra, a arbitragem espanhola vai intensificar a luta contra as perdas de tempo. O CTA solicitou formalmente ao International Board (IFAB), o órgão que rege as leis do futebol, autorização para aplicar uma sanção inovadora, já pedida também pela Premier League: punir as equipas cujos guarda-redes simulem lesões para atrasar o jogo, deixando-as temporariamente com menos um jogador em campo por um minuto.

Além desta proposta, serão implementadas outras medidas inspiradas no recente Campeonato do Mundo. Entre elas, destacam-se a fiscalização rigorosa do tempo nos lançamentos de linha lateral através de uma contagem decrescente, um limite de 10 segundos para a realização de substituições e a obrigatoriedade de os jogadores assistidos pela equipa médica permanecerem fora do relvado durante um minuto.

Estas diretrizes estão em sintonia com os esforços da UEFA para harmonizar os critérios em toda a Europa. Numa reunião com as federações, foi reforçada a aposta em não aplicar a lei Prestianni/Vinícius e em penalizar as simulações dos guarda-redes. No que toca ao VAR, a indicação é clara: a intervenção deve limitar-se a erros «claros e evidentes», como defende Fran Soto. A UEFA sublinha que «o VAR não se destina a arbitrar novamente o jogo, mas constitui um apoio essencial para os árbitros, que devem continuar a ser o centro de toda a tomada de decisões».

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