João Almeida

João Almeida aponta a 2026 como um ano de vitórias: «Não quero ficar como uma promessa»

Ciclista português abordou vários temas na primeira conferência da temporada, incluindo a Volta ao Algarve, o Giro D'Itália, a concorrência de Vingegaard, a polémica com Ayuso e também falou de Pogacar

João Almeida vai atacar 2026... com tudo! O ciclista português concedeu uma conferência de imprensa de antevisão à nova temporada, depois de brilhar no ano passado, e mostrou-se entusiasmado por voltar a competir, admitindo que quer manter o nível de 2025 e, quem sabe, até superá-lo.

«Sem dúvida que foi a minha melhor [temporada] de sempre. Muitas vitórias, vitórias com grande valor em corridas de um mais alto nível. Obviamente vai ser sempre difícil superar ano após ano, mas estamos aqui mais um ano e vamos tentar superar a temporada anterior. A única coisa que poderia ter corrido melhor foi a queda no Tour, que foi um momento de azar, mas faz parte do ciclismo, as coisas não vão correr sempre como nós gostaríamos que corressem, faz parte do caminho, mas sinceramente acho que foi uma temporada ideal», começou por dizer o atleta de 27 anos, analisando este início de preparação.

«Tem sido bastante bom, tenho-me sentido bastante bem, sem percalços, sem azares, portanto acho que sinto-me bastante bem fisicamente. Tenho-me esforçado bastante para estar numa condição física melhor que o ano passado, o que não é fácil, mas estou optimista e confiante para começar a temporada. Vou tendo mais experiência, mais confiança em mim mesmo. Ano após ano vamos sempre melhorando e essa bagagem de experiência ajuda bastante a tomar decisões na corrida que acabam por ser um bocadinho inconscientes às vezes e acho que me favorece a mim e também a todos os que têm experiência», afirmou, abordando o calendário inicial.

«Vou começar antes [da Volta ao Algarve], na Volta a Valência. Esperemos encontrar boas pernas, já que o objetivo é ganhar a corrida, disputar a corrida, para entrar no Algarve com um bocadinho de ritmo de competição e não ser um choque tão grande, porque a Volta ao Algarve é uma corrida muito exigente e para vencer num pelotão precisamos de muita força. Inicialmente o plano era fazer outra Volta, mas depois de discutir com a equipa chegámos à conclusão que eu preferia fazer o Giro e a equipa concordou e mudámos isso. Pessoalmente faz sentido voltar ao Giro, também mudar um pouco o calendário, e acho que é uma boa oportunidade para tentar ganhar a corrida e, se não ganhar, estar o mais perto possível», explicou o luso, analisando o próximo Giro D'italia.

Concorrência de Vingegaard

«Obviamente que as corridas que não ganhamos gostamos sempre de conseguir ganhar. Tenho uma história bonita com o Giro, mas no fundo é só mais uma corrida e vamos lá com o objetivo de dar o nosso melhor e esperemos sair por cima dos outros. Obviamente que enquanto não houvesse confirmações podíamos sempre especular [sobre a concorrência], mas é uma coisa boa, acaba por me favorecer. Vou ter um adversário muito forte, mas também acaba por me motivar e dar mais de mim», explicou, comparando-se a Vingegaard.

«Somos corredores similares. Até à data de hoje é um corredor que podemos dizer mais forte, como o palmarés também é muito superior ao meu. Já ganhou a Volta à França mais do que uma vez, mas ninguém é imbatível. O Giro é uma corrida um bocadinho mais aberta, há sempre fatores mais inesperados como o tempo», atirou, confiante, tendo sido lembrado sobre quando vestiu a camisola rosa no Giro.

«O que mudou? Estou mais velho [risos]! Tenho uma bagagem de experiência muito maior. No primeiro Giro não sabia para o que ia. Agora, quando vou para uma Grande Volta, já sei o que vou encontrar e tenho outra preparação mental. Favoritismo? Passa-me um bocadinho ao lado. Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar uma de verdade. Mostra que os adversários me têm em conta, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes», apontou.

Pogacar e Ayuso

Questionado sobre a reação de Pogacar ao saber que não o ia acompanhar no Tour, João Almeida revelou que foi... «nomal». Acredito que tenha ficado ligeiramente triste por eu não ir, mas também não o vai afetar muito. Não acho que eu seja fundamental para ele vencer o Tour. Ambos gostamos de correr um com o outro, mas eu pedi para ir ao Giro. Foi uma atitude da equipa a pensar em mim, a dar-me liberdade e a mostrar confiança de que posso lutar pela vitória», justificou. «Giro ou Vuelta? Em termos de planificação têm a mesma importância. Pessoalmente, o Giro, em termos de atenção mediática e de valor no ciclismo, é se calhar um bocadinho superior. Ganhar uma Grande Volta seria um objetivo de carreira e vou dar o meu melhor para isso acontecer», acrescentou.

«Pogacar na Vuelta? A participação dele só é confirmada depois do Tour. Depende de como ele estiver, se está cansado ou não, e ele tem a camisola de campeão do mundo para defender. Se ele for, é o líder principal, isso é indiscutível. Mas é um corredor com quem gosto de correr e, se ele tiver oportunidade de me dar uma vitória, não hesitaria», afirmou.

No Giro, João Almeida vai ter a companhia do compatriota António Morgado. «Pode ajudar-me em todo o tipo de terreno. É muito jovem e tem muito para aprender, mas é muito forte. Vejo-o a discutir corridas de uma semana no futuro e, nas clássicas, ele também é muito bom. Tem um potencial brilhante», admitiu, tendo sido questionado ainda sobre a polémica com Ayuso, que saiu da equipa e... facilitou a sua vida.

«Sim, acaba por ser menos um líder para adaptar o calendário, o que liberta espaço. Facilita a vida em termos de escolher as corridas que eu quero discutir e participar», respondeu.

Volta ao Algarve

Outro dos objetivos de João Almeida é ganhar a Volta ao Algarve, que começa a 18 de fevereiro e acaba a 22. «Sim, possivelmente, sendo português, seria uma honra. No ano passado estive perto e não consegui. É a corrida em Portugal com o mais alto nível e vou tentar vencê-la. O percurso foi divulgado tarde. Sei que subimos a Fóia por um lado ligeiramente diferente. A etapa do Malhão continua a ser das mais importantes, se não a mais importante. A Fóia às vezes é um bocadinho sobrevalorizada porque acaba por não ser tão dura. É uma corrida que gosto sempre de fazer», garantiu, agradecendo o apoio dos portugueses.

«Faz claramente a diferença. Correr em casa dá sempre uma força extra e isso sente-se, tanto na Volta ao Algarve como nas outras corridas em casa. Temos sempre uma força extra e o apoio dos adeptos faz toda a diferença. Não só na corrida, mas também a treinar. Promessa? É como sempre, uma mensagem de agradecimento por irem para a estrada, faça sol, faça chuva, e a promessa de que vou dar sempre o meu melhor», completou.