Tremenda desilusão leonina no Ártico. Foto IMAGO
Tremenda desilusão leonina no Ártico. Foto IMAGO

O pior Sporting no pior dia possível

Leões tinham (ainda terão?) oportunidade de ouro de mostrar que conseguem frequentar os salões da nobreza europeia. Mas falharam a toda a linha na Noruega, perante grande equipa

O Sporting está de pé em parte das competições nacionais, com vantagem numa ao intervalo (a menos importante para o caso, a Taça de Portugal) e tremenda desvantagem noutra, a principal, a Liga, a que faz mover a fé dos adeptos e dá sentido ao reinício de cada caminhada a cada verão que vai passando. O sonho do tri não morreu, mas já esteve mais perto de ser possível, sobretudo depois de a equipa não ter sabido, por poucos segundos, aproveitar a conjuntura de jogos do último fim de semana.

Perante os resultados da jornada passada, a necessidade de afirmação europeia, ainda que à escala nacional, tornou-se mais prioritária para os leões.

É fundamental tentar perseguir o título, esperando por pelo menos duas escorregadelas do FC Porto, e absolutamente decisivo manter pelo menos o segundo lugar, que dá acesso à UEFA Champions League.

Mas tendo, por força de uma fase de grupos brilhante, atingido os oitavos de final, pedia-se muito mais Sporting na noite de ontem. Contra o Bodo/Glimt ou contra outro adversário qualquer. Podia ser o Real Madrid e a exigência teria de ser a mesma, embora tenhamos, também, de verificar com alguma ironia que todos os visitantes de quarta-feira (exceto o Arsenal) foram despachados pela mesma diferença de golos, incluindo o super-City de Guardiola frente ao mini-Real de Arbeloa, como queríamos fazer crer que é há muito poucos dias, depois de ter estado à beira de ser eliminado pelo Benfica.

Independentemente das comparações e de todas as relatividades, cabia ao Sporting versão século 21 dar um grito de afirmação na Europa. Habituar-se a estas idas às fases decisivas e aparecer de quando em vez nos salões dos maiores magnatas, como FC Porto e Benfica conseguem amiúde. Dificilmente uma equipa portuguesa voltará a imitar a proeza do Porto de 2004, que o futebol está mais para a elite que para as bases. Mas é bom ir aparecendo por lá.

O Bodo/Glimt, cujo plantel é esmagadoramente formado por jogadores noruegueses, está quase a conseguir, a não ser que os leões se encham de brios a deem a volta à eliminatória. Impossível? Não, claro que não. Mas muito improvável sim, até porque os loiros que vestem de amarelo provaram ser mais fortes, mais altos, mais concentrados e até melhores tecnicamente. Aliás, será por acaso que entre as figuras mais importantes dos principais clubes portugueses figuram, hoje, jogadores da Escandinávia?