Marco Silva — Foto: IMAGO
Marco Silva — Foto: IMAGO
Nélson Feiteirona Nélson Feiteirona

Reencontro com Amorim, incógnita de Palhinha e brilho de Prestianni: tudo o que disse Marco Silva

Treinador do Benfica antevê um jogo de Champions em Milão, destacando que ambos os treinadores se conhecem bem, e deixou no ar a possibilidade de rodar a equipa na competição, tal como fez o FC Porto na época passada. Elogios ao argentino e a Banjaqui

— Está mais próximo de chegar ao que pretende no Benfica?

— Continuo a dizer que ainda estamos longe. Convenço-me disso e quero convencer também os nossos jogadores. Não quer dizer que não estejamos satisfeitos com o que temos vindo a fazer, estaria a mentir. Estamos a evoluir, basta olhar para os nossos primeiros jogos. É claro que a equipa tem vindo a melhorar, a criar uma identidade. Satisfeito com o comportamento dos jogadores e tem-se refletido no jogo. Mas temos muito, muito a melhorar como equipa.

— Onde rende mais o Prestianni?

— O princípio de época tem mostrado que tem funcionado muito bem à esquerda, mas ele está preparado para ajudar a equipa noutras posições. No ano passado, quase sempre jogou à direita. O rendimento tem sido excelente. Também pode jogar por dentro, é uma decisão que temos de tomar. Acaba por ser bom para nós, porque podemos alterar a posição de um jogador em jogo. Na direita, treinamos mais com o Rafa e o Lukebakio, mas Prestianni tem tido uma influência muito grande e isso para nós é o mais importante.

— O que espera do jogo? Dois treinadores que se conhecem...

— Um jogo muito difícil, sem dúvida. Duas equipas que estão habituadas a jogar noutra competição e não na Liga Europa, pelo seu historial e os últimos anos. Mas a realidade é esta. Tivemos de percorrer um caminho ainda mais difícil, jogar seis jogos, para aqui estar. É um jogo complicado para cada equipa que joga aqui, pela qualidade da equipa: como o Milan se fosse jogar ao Estádio da Luz... teria as mesmas dificuldades. É um treinador que nos conhece bem, o Benfica bem, o futebol português bem. Há um conhecimento mútuo da minha parte e vice-versa com o Ruben, também pelo curto espaço de tempo em Inglaterra. Mas hoje já não há segredos mesmo se não houvesse este conhecimento entre ambos. Esperamos estar à altura, como é a nossa obrigação.

— Amorim disse que Palhinha ia jogar em Milão e no Dragão. Pode confirmar?

— Não sei se o Ruben falou com o João ao telefone, não faço ideia. Mas para domingo não sabe, de certeza, nem o João sabe se vai jogar amanhã, quanto mais domingo. É uma previsão do Ruben. Basta olhar para o último jogo, perceber que fizemos a gestão de um jogador e esse jogador foi o João pela carga de jogos desde que chegou, sem muitos jogos para trás... Sabem da situação dele no Bayern. É uma conclusão que o Ruben tira, amanhã veremos se estará correta ou não.

— Vai rodar metade da equipa na Europa, como o FC Porto fez no ano passado?

— Não sei o que o FC Porto fez a época passada, não estava em Portugal. Eu não sei, perdoem-me a minha ignorância nesse aspeto, mas não tive capacidade nem tempo para ver porque estava a disputar outro campeonato. O FC Porto jogou contra equipas inglesas e acabei por ver um ou outro jogo, mas não sei a dimensão da rotação ou não. O que podemos apresentar ou não amanhã tem a ver connosco. Não tem muito a ver com o jogo de domingo só. Desde que fomos à Madeira até ao jogo de amanhã vão ser 11 dias, três jogos fora de casa. É humanamente impossível, em 11 dias, o mesmo onze fazer quatro jogos. Temos de ser inteligentes na forma como gerimos, hoje tinha dados sobre os jogadores, amanhã terei também e tomarei a melhor decisão para o jogo de amanhã e a condição dos jogadores.

— Sente Banjaqui está preparado para a exigência de Liga Europa?

— Se o Banjaqui está no plantel, temos de acreditar nele, já vos disse. É um jovem de 18 anos, muito do que está a acontecer na sua carreira são as primeiras sensações que tem tido. Não foi a primeira vez este ano que jogou com a camisola do Benfica, mas tem tido sensações diferentes. É importante sentir o peso de ganhar sempre, sabendo que, quando entra em campo, não há outra hipótese se não ganhar. E tudo isto cria exigências num jovem de 18 anos que, uns pela sua maturidade, não só pela qualidade futebolística, têm mais capacidades ou não. Temos de ajudá-los da melhor forma possível. Tem dado os passos, não esperávamos que ele estivesse preparado já em todos os momentos. Faz parte. Temos de lhes dar espaço. Tem vindo a jogar e dado a sua resposta. Quero é que sempre que tenha a oportunidade de jogar e de fazer aquilo que era o sonho dele, que não tenha dúvidas nenhumas na cabeça dele: vá para o jogo limpo e tem é de dar tudo pela camisola. A sua qualidade vem ao de cima.

— Que tipo de jogo espera, a nível tático?

— É uma equipa de qualidade. O Milan tenta pressionar, não em todos os momentos. Acreditamos que amanhã, pela dimensão do jogo e de jogar em casa, fará parte da estratégia. Não vejo só como uma equipa muito pressionante, olhando para os últimos jogos. É difícil entender já o que será, mas percebe-se que é uma equipa que quer dar passos em frente nesse aspeto, o próprio Ruben falou disso. Se o Rabiot jogar numa dupla de médios ou mais à frente, é uma equipa diferente.

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