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Infantino cada vez mais sozinho: até Wenger perdeu a paciência
A autoridade de Gianni Infantino sofreu um novo revés depois de o seu número dois, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, ter classificado o fracassado plano de investimento privado para o Mundial como uma «série de eventos triste e reprovável».
A pressão sobre o presidente da FIFA aumenta com as críticas de figuras de topo da organização, que continuam a distanciar-se do polémico plano. Arsène Wenger, chefe do desenvolvimento global do futebol da FIFA, quebrou o silêncio sobre a crise, afirmando em comunicado que a retirada do projeto era «absolutamente necessária e inquestionável».
As declarações de Grafstrom e Wenger surgem na sequência da demissão, na semana passada, de Carlos Cordeiro, um conselheiro de Infantino.
Por sua vez, Arsène Wenger, que assumiu o seu cargo na FIFA em novembro de 2019, confirmou que não foi consultado sobre o plano de Infantino. «Não estive envolvido neste plano estratégico e tomei conhecimento do projeto através da comunicação social», declarou, em comunicado, o antigo treinador do Arsenal.
«A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e inquestionável, porque acredito firmemente numa FIFA independente que sirva o nosso desporto com empenho, transparência e integridade», concluiu Wenger.
Estas duras palavras do adjunto de Infantino, e de uma figura proeminente como Wenger, intensificam a sensação de que o presidente está cada vez mais isolado dentro da sua própria administração. O mandato de Infantino continua sob forte pressão, com várias federações europeias a retirarem o seu apoio à sua reeleição.
A fonte da polémica
Um dos grandes pontos de discórdia com a proposta de Infantino prende-se com o facto de Infantino, segundo diversas fontes, a ter planeado nos bastidores, sem ter consultado pessoas dentro da FIFA que, depois, só a descobriram através dos meios de comunicação social.
A ideia passava por alienar 20% de uma nova empresa, a FIFA Forward Enterprise, que seria responsável pela gestão dos ativos comerciais e eventos da FIFA, incluindo o Mundial. Com esta operação, a organização pretendia angariar até 3,65 mil milhões de euros.
Apesar da polémica, a FIFA negou que o Mundial estivesse à venda, garantindo que a iniciativa só avançaria com o consentimento da maioria das suas 211 federações-membro. O organismo máximo do futebol mundial argumentou ainda que o objetivo seria reforçar o financiamento distribuído pelas mesmas
No entanto, a proposta não foi bem recebida por todos. As federações da Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia manifestaram o seu descontentamento ao retirarem o apoio à recandidatura de Infantino, que presidente contava com o apoio da esmagadora maioria das federações filiadas.
Gianni Infantino, que lidera a FIFA desde 2016, foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023. Para a próxima corrida eleitoral, cujo prazo para a apresentação de candidaturas termina a 18 de novembro, ainda não surgiram candidatos que se oponham ao atual presidente.