Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: IMAGO

Infantino aponta favorito ao Mundial e não esquece Prestianni: «Não vale tapar a boca»

Presidente da FIFA voltou a tocar no tema racismo na entrevista publicada na edição 20.000 do AS

O jornal espanhol AS publicou, esta terça-feira, na sua edição 20.000, uma entrevista com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Um dos temas centrais foi o Mundial que arranca no próximo mês de junho, numa altura em que os Estados Unidos — um dos três países organizadores — protagonizam um conflito armado com o Irão. O líder do organismo que tutela o futebol à escala global não se mostra preocupado e promete mesmo que a competição será «um sucesso».

«O Mundial vai ser fantástico, fenomenal, há uma expectativa sem precedentes nos Estados Unidos, México e Canadá. Em quatro semanas, tivemos mais de 500 milhões de pedidos de bilhetes. É impressionante. Temos quase sete milhões de ingressos, mas 500 milhões é algo que nunca se viu na história, nem da FIFA, nem de nenhuma outra instituição. 77 dos 104 jogos tiveram mais de um milhão de pedidos de bilhetes e os restantes andam perto disso... Todos os estádios vão estar cheios, vai ser uma festa total. Quando diziam que, nos Estados Unidos, o futebol não era muito valorizado, isso mudou. Vai ser um sucesso. Estamos perante algo enorme. É mais do que um torneio, é mais do que uma competição desportiva, é algo social para o qual o mundo vai parar para olhar», assinalou Infantino, passando ao lado das notícias que dão conta de alegada falta de interesse dos adeptos em relação a alguns jogos da competição.

O presidente da FIFA aponta, também, aquele que considera ser o favorito à conquista do troféu mais desejado: «Espanha é um dos favoritos. Há outros, sim, mas já conhecemos a força que Espanha tem. Está em primeiro no ranking mundial e tem de ser favorita.»

Questionado sobre o racismo no futebol e, em particular, sobre a luta travada por Vinícius Júnior, craque do Real Madrid e da seleção brasileira, Gianni Infantino, que completa uma década como dirigente máximo da FIFA, mostrou não ter esquecido o caso Prestianni. «Temos de lutar com toda a nossa força. Estamos em 2026 e não é possível discriminar alguém pela sua origem. Por vezes, dizem-me que o racismo é um problema da sociedade. Sim, mas nós temos de resolvê-lo no futebol e a sociedade resolvê-lo-á como entender. No futebol, o racismo não deve ter lugar e não há qualquer desculpa para o tolerar. Tolerância zero. Não vale tapar a boca, porque algo de mau estará a ser dito», disparou.

«Se um jogador tapa a boca e diz algo, e isso tem consequências racistas, deve, obviamente, ser expulso. Como é óbvio, quando se trata de um caso disciplinar, é preciso analisar a situação e ter provas, mas não podemos conformar-nos com isso daqui em diante», rematou Infantino, que já tinha tomado posição a favor da expulsão de jogadores que tapem a boca para falar.