Hugo Oliveira antevê dificuldades no reduto do Estrela da Amadora, mas projeta Famalicão ambicioso -  Foto: Estela Silva/LUSA
Hugo Oliveira antevê dificuldades no reduto do Estrela da Amadora, mas projeta Famalicão ambicioso - Foto: Estela Silva/LUSA

Hugo Oliveira: «Segunda-feira à noite não é um dia de futebol...»

Treinador do Famalicão diz compreender as necessidades do calendário, até pelos elogios que faz ao desempenho europeu do SC Braga, mas não está convencido quanto à data encontrada para o embate no terreno do Estrela da Amadora

O facto de o SC Braga ter jogado na passada quinta-feira na Alemanha, diante do Friburgo, por ocasião da segunda mão das meias-finais da UEFA Europa League, levou a que a grande maioria dos encontros desta 33.ª e penúltima jornada da Liga fossem marcados para a noite de segunda-feira. E esse facto levou a uma reflexão de Hugo Oliveira. O treinador do Famalicão aproveitou a ocasião para felicitar a extraordinária caminhada internacional dos arsenalistas, mas deixou o lamento da marcação da ronda para um dia que, defende, «não é de futebol».

«Acho que vai ser um jogo bonito. Uma boa oportunidade para duas equipas lutarem por mais pontos, por desenvolvimento dos seus projetos e por mais passos para a frente. A única pena que tenho é que este e outros jogos desta Liga em que ainda se decidem lugares na tabela não sejam num dia e num horário bons para os adeptos», começou por dizer.

«Não sei quem é o culpado, não interessa quem é o culpado, mas deixa-me essa tristeza. Está na hora de todos pararmos e pensarmos quando tomamos decisões. Trabalhamos para os adeptos, para criarmos memórias, e segunda-feira à noite não é um dia de futebol para criar momentos e memórias. As pessoas trabalham, as crianças têm escola e não podem fazer muitos quilómetros e deitarem-se de madrugada. Na minha opinião, o futebol não é isso. Gostava muito que fosse diferente», continuou.

«Entendo as razões de a jornada ter de ser feita com todos ao mesmo tempo, bem como entendo que há clubes que deveriam ter direito a jogar em horários diferentes. Obviamente que uma equipa portuguesa que esteja a lutar por competições internacionais deve sair beneficiada e deve ter mais tempo para lutar por si própria e pelo futebol português, pelo que fiquei com muita pena que o SC Braga não tivesse dado um passo em frente para a final da UEFA Europa League, prova em que teve uma prestação fantástica», começou por explicar, na conferência de Imprensa realizada ao início da tarde deste domingo.

Relativamente ao desafio que os azuis e brancos têm pela frente, na Reboleira, diante do Estrela da Amadora, Hugo Oliveira antevê dificuldades. Mas garante uma equipa igual a si própria e a lutar pelos seus objetivos de forma absolutamente similar ao que tem vindo a fazer durante toda a temporada.

«Sobre o jogo, penso que será competitivo, entre duas equipas que têm ambições e até obrigações. É assim que vamos para esta partida, lutando pelos nossos ideais e pelos nossos princípios. Seremos iguais a nós próprios e vamos a mais um desafio. Espero um Estrela da Amadora extremamente motivado, extremamente agressivo na boa intenção da palavra, e cheio de energia para lutar pelos três pontos. É o ADN do Estrela e do seu treinador. O campeonato caminha para o seu final e as oportunidades começam a escassear. São 90 minutos agora e mais 90 minutos na próxima semana e serão essas as oportunidades para as equipas lutarem pelos seus objetivos de época. Olhamos para nós a saber que contam tanto três pontos neste jogo como contavam no início do campeonato. O que nos fez chegar aqui a lutar por posições na tabela foi uma forma de estar contínua. Obviamente que é bonito chegarmos a esta fase da época e ainda estarmos ligados a objetivos competitivos e deixarmos os nossos adeptos motivados para estarem nestes momentos», assumiu, sem rodeios.

O conjunto lisboeta trocou recentemente de treinador, com Cristiano Bacci a render João Nuno na ronda passada, mas esse tema não entra na lista de preocupações dos minhotos. Porque o foco é interno: «A forma de estar nas instituições é definida por quem as lidera. Existem muitas formas diferentes de viver. Nós, Famalicão, não vivemos a olhar para os adversários. Temos a nossa forma de estar e de viver. E este orgulho muito nosso faz com que sejamos contínuos. Esse não é um assunto nosso.»

O Famalicão segue firme na luta pelo 5.º lugar — posição que ocupa atualmente (e que é também perseguida pelo Gil Vicente) e que pode dar acesso às pré-eliminatórias da UEFA Conference League (caso o Sporting vença o Torreense na final da Taça de Portugal) —, mas Hugo Oliveira continua a falar numa forma de estar que é igual desde que a época se iniciou. Contas far-se-ão no final: «Temos muita ambição. E noto isso durante a semana, durante o nosso processo de trabalho. É um grupo muito competitivo, até se chateiam em alguns joguinhos porque gostam muito de ganhar. Aconteça o que acontecer, o Famalicão vai jogar para ganhar na Amadora e vai jogar para ganhar na receção ao Alverca. Só sabemos viver assim. E isso vai fazer com que o presente e o futuro do clube seja sempre positivo.»

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