Renascer das cinzas da UAE e de Narvaéz no Giro, com português em destaque
A glória depois da queda ao inferno.
A UAE Emirates foi a vencedora da 4.ª etapa do Giro, a primeira que se correu em solo italiano depois do arranque na Bulgária, triunfando na chegada a Cosenza num sprint em que Jhonatan Narvaéz bateu o venezuelano Orluis Aular (Movistar) e Giulio Ciccone (Lidl-Trek), o novo camisola rosa.
Numa tirada de 138 quilómetros que teve partida em Catanzaro e ficou marcada pelo vento forte que se fez sentir na primeira parte da etapa, além da lufada de ar fresco que a vitória significou para a UAE - que perdeu os três principais ciclistas devido a um acidente grave na segunda etapa – permitiu a Narvaéz dar um da sua graça na prova que marca o regresso à competição.
O ciclista equatoriano protagonizou também um acidente grave no Tour Down Under, em janeiro, e esteve três meses afastado das estradas, marcando agora com um importante triunfo o retorno à competição.
A etapa desta terça-feira permitiu ainda ver o português Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) em plano de destaque, terminando no 6.º lugar da etapa, o que lhe permitiu subir a 31.º da classificação geral, a 1m11 do líder. Quanto aos outros portugueses em prova, Nelson Oliveira voltou a mostrar-se quando a Movistar quis assumir as despesas da corrida, terminando depois a 1m10 do vencedor. O corredor de Anadia é 47.º na geral, enquanto António Morgado (UAE Emirates) é 120.º classificado.
Nas contas da camisola rosa, o uruguaio Thomas Guillermo Silva (XDS Astana) perdeu o símbolo da liderança da corrida depois de ter ficado para trás a cerca de 50 quilómetros da meta, na única subida da etapa.
Ciccone passa a ser o novo líder da geral, com quatro segundos de vantagem sobre o suíço Jan Christen (UAE Emirates) e o alemão Florian Stork (Tudor), e no final não escondeu o orgulho por ter alcançado o verdadeiro sonho cor de rosa.
«A sensação é fantástica. Sempre sonhei com esta camisola desde pequeno. Comecei nesta modalidade a ambicionar vesti-la», confessou o italiano de 31 anos, após as lágrimas que verteu ao saber que a ‘maglia rosa’ era dele.
Narvaéz lembra companheiros
Após vencer a etapa, Narvaéz lembrou o infortúnio que obrigou ao abandono de Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler, dedicando o triunfo aos companheiros.
«Esta vitória é muito importante. Venho de três meses de treino no Equador, depois da queda que tive. E é também um triunfo para os meus companheiros que tiveram o acidente na etapa 2, depois de muitos meses a preparem-se para estar aqui em boa forma», declarou.