Meses antes de poderem assistir a um jogo ao vivo, mulheres iranianas foram autorizadas a ver no estádio a transmissão televisiva do Irão-Portugal do Mundial-2018. Foto IMAGO
Meses antes de poderem assistir a um jogo ao vivo, mulheres iranianas foram autorizadas a ver no estádio a transmissão televisiva do Irão-Portugal do Mundial-2018. Foto IMAGO - Foto: IMAGO

Infantino revela em livro como 'levou' mulheres iranianas aos estádios de futebol

Obra que assinala dez anos de mandato do suíço na FIFA traz à luz do dia episódios curiosos

Forward, a Revolução no Futebol é o nome do livro que assinala dez anos da presidência de Gianni Infantino na mais importante estrutura do futebol mundial. A efeméride assinalou-se em fevereiro e serviu de pretexto para a obra do jornalista italiano Alessandro Alciato, autor de biografias de Andrea Pirlo e Carlo Ancelotti, por exemplo.

A obra foi lançada no início de maio em sete linguas, incluindo o Português, e promete várias revelações de episódios que até agora só eram conhecidos pelos protagonistas e nos bastidores. Uma delas tem a ver com a influência que o dirigente ítalo-suíço teve na permissão dada pela República Islâmica do Irão para que as mulheres pudessem assistir a jogos de futebol.

De acordo com o relatado, Gianni Infantino só aceitou visitar o Irão, em março de 2018, com a condição de se encontrar com o presidente da República, Hassan Rouhani. Ao anunciar que pretendia levantar o tema, foi aconselhado pelos negociadores iranianos a não o fazer. Porém, no final do encontro entre ambos, Infantino quebrou o protocolo e pediu mesmo a Rouhani que considerasse a possibilidade.

Dizendo saber como são difíceis as transformações culturais — e dando o exemplo da própria Suíça, onde as mulheres só desde 1991 têm direito a votar —, insistiu e conseguiu. Passados meses, Infantino voltou a Teerão para a final da Liga dos Campeões Asiática. Perguntou quantas mulheres estariam na bancada, responderam «10» e ele exigiu mil. Acabaram por estar 1.500.

O facto foi ignorado pela Comunicação Social iraniana, mas o presidente da FIFA fez questão de estar junto dessas mulheres — que tinham um lugar específico no estádio — e fotografou o momento, tornando-o então público.

Embora esta final da Liga dos Campeões Asiática tenha representado o regresso das mulheres às bancadas no Irão após 38 anos de proibição de ver futebol ao vivo, o Irão-Portugal desse mesmo ano, no Mundial, constituiu meses antes ponto de viragem, pois foi autorizada a presença de mulheres no mesmo estádio — o Azadi — para assistirem à respetiva transmissão televisiva.

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