Mundial
Mundial
Há um 'Batman' na MLS que passou pelo Benfica e sonha brilhar por Cabo Verde
O sonho de jogar um Mundial vive na cabeça de quase todos os futebolistas. Para CJ dos Santos, começou nos relvados de Filadélfia, passou pelas camadas jovens do Benfica e acabou por levá-lo até ao maior palco do futebol… com uma máscara preta no rosto e Cabo Verde ao peito.
Filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, o guarda-redes de 25 anos cresceu nos Estados Unidos, passou pelas seleções jovens norte-americanas e, em 2016, trocou a Pensilvânia por Lisboa para integrar a academia do Benfica, clube que a família acompanha há gerações. Ficou seis anos nos encarnados — jogando nos juvenis, juniores, sub-23 e equipa B das águias —, antes de regressar à MLS, primeiro para o Inter Miami e depois para o San Diego FC, onde explodiu na temporada de estreia do novo franchising.
E foi precisamente aí que nasceu... o Batman. Uma fratura no nariz obrigou-o a cirurgia e ao uso de uma máscara preta personalizada. «É moldada à minha cara. Por isso é tão confortável», explicou.
Mas o destino ainda lhe reservava outro teste. Meses depois, num choque arrepiante frente ao Portland Timbers, ficou imóvel no relvado e saiu de maca após sofrer uma fratura no maxilar. A imagem assustou colegas e adeptos. Ainda assim, voltou. E voltou a tempo de viver o momento pelo qual sonhava desde criança.
Sem espaço na seleção dos Estados Unidos, uma nova porta abriu-se através das raízes familiares. Cabo Verde chamou-o e o guardião não hesitou. «É tudo o que sempre desejei. Por isso, é uma bênção e uma honra imensas fazer parte deste grupo e representar Cabo Verde num palco mundial — o primeiro Mundial da história do país. É um orgulho representar este país e estar em contacto com as minhas raízes e com a minha herança», disse.
Ao jogar no Mundial, tornar-se-á apenas o segundo futebolista nascido nos Estados Unidos a representar Cabo Verde. Por outro lado, será, de certeza, o primeiro Batman da história dos tubarões azuis.
Este artigo partiu do perfil de CJ dos Santos que A BOLA publicou no âmbito da Guardian Experts’ Network, uma rede de troca de conteúdos liderada pelo conceituado jornal inglês, e que inclui meios de comunicação social de vários países representados no torneio.