Momento em que Zidane viu o cartão vermelho na final do Mundial 2006 - Foto: IMAGO

Há 20 anos, Zidane perdia a cabeça em plena final do Mundial: lembra-se?

Último jogo da carreira do francês continua a ser recordado muito mais pela cabeçada a Marco Materazzi do que pela final perdida frente à Itália

Há gestos que atravessam gerações. Há finais que ficam para a história. E há momentos que conseguem ser ambos. Faz hoje (precisamente) 20 anos que Zinédine Zidane protagonizou um dos episódios mais marcantes da história dos Mundiais: a célebre cabeçada em Marco Materazzi, na final de 2006, um instante que transformou o último jogo da carreira de um dos maiores futebolistas de sempre numa das imagens mais icónicas do desporto.

No dia 9 de julho de 2006, o Estádio Olímpico de Berlim recebeu uma final carregada de simbolismo. Aos 34 anos, Zidane despedia-se dos relvados e procurava conduzir a França ao segundo título mundial da sua história. O capitão francês começou da melhor forma, inaugurando o marcador aos sete minutos com um ousado Panenka na conversão de uma grande penalidade. Pouco depois, Materazzi respondeu da mesma moeda, empatando para a Itália, de cabeça, na sequência de um canto.

O encontro manteve-se equilibrado até ao prolongamento. E foi então que tudo mudou.

Aos 110 minutos, longe da bola e quando os olhos do mundo nem sequer estavam nele, Zidane virou-se para Materazzi e desferiu-lhe uma cabeçada no peito. O árbitro Horacio Elizondo, alertado pelo quarto árbitro, mostrou-lhe o cartão vermelho direto. O francês abandonou o relvado em silêncio, passando pela taça sem sequer lhe tocar, numa imagem que se tornou eterna.

A imagem que se tornou eterna

Até hoje, muito se especulou sobre o que levou Zidane a perder o controlo. O próprio admitiu mais tarde que Materazzi insultou repetidamente a sua família, em particular a mãe e a irmã. O defesa italiano confirmou que houve troca de palavras, embora sempre tenha negado ter feito referências à mãe do francês. A verdade absoluta nunca foi totalmente esclarecida, mas a cabeçada acabou por se tornar um dos episódios mais analisados da história do futebol.

Sem o seu líder, a França acabou derrotada nas grandes penalidades, depois de David Trezeguet acertar na trave. A Itália conquistou o seu quarto Mundial e Zidane viu a carreira terminar da forma mais inesperada possível.

Duas décadas depois, a imagem continua viva. A cabeçada foi reproduzida em pinturas, documentários, livros, jogos e filmes. Ao mesmo tempo, nunca apagou o legado de Zidane.

Pelo contrário. Depois de pendurar as chuteiras, construiu uma carreira igualmente brilhante como treinador. Ao serviço do Real Madrid conquistou três UEFA Champions League, entre 2016 e 2018, um feito inédito na era moderna da competição, além de dois campeonatos espanhóis e vários títulos internacionais.

Enquanto isso, a seleção francesa voltou ao topo do mundo. Sob o comando de Didier Deschamps, venceu o Mundial 2018, foi finalista em 2022 e chegou ao Mundial 2026 como uma das principais favoritas ao título, estando, neste momento, a disputar os quartos de final.

E há uma última coincidência que torna esta efeméride ainda mais curiosa. Vinte anos depois da despedida como jogador, Zidane prepara-se para iniciar um novo capítulo, precisamente como treinador da seleção francesa. Com a saída de Didier Deschamps já confirmada após o Mundial 2026, será o antigo número 10 a assumir o comando dos bleus, regressando ao palco onde escreveu algumas das páginas mais inesquecíveis da história do futebol... incluindo a mais polémica de todas.

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