Gyokeres e Jurásek: caros ou baratos?
Operíodo da pré-época é por norma uma fase agitada. Os clubes procuram soluções que acrescentem qualidade aos seus planteis. No momento de decidir quais os alvos a atacar no mercado, existe um conjunto de requisitos que deve ser analisado e que reduz a margem de erro, aumentando a probabilidade de sucesso. Contudo, não nos devemos esquecer que os jogadores não são robots e como tal existem variáveis que não se controlam na totalidade.
QUAL O INVESTIMENTO DISPONÍVEL?
Oprimeiro passo para tomar decisões deverá ser a definição dos objetivos que se pretendem alcançar. São estes que definem qual o caminho a seguir. Por norma, em Portugal, a tradição e a história obriga a que os três grandes sejam, ano após ano, candidatos ao título. Nestes casos, não existe margem para pensar diferente. Se em termos teóricos esta é uma evidência, de forma a que na prática esse estatuto seja exercido, é fundamental definir um orçamento e valor de investimento para atingir as metas propostas. É sempre importante realçar que investimento é diferente de orçamento. O orçamento deverá ser composto pelos gastos que irão ocorrer ao longo do ano, sendo que o peso dos salários dos jogadores será um encargo que durará alguns anos e não apenas no ano em que se contrata. Já o investimento que se pode despender em aquisições é algo que pode ser gerido ano após ano. É um investimento imediato que pode ser amortizado e pago parceladamente mas que tem a ver com o contexto atual. Assim, o primeiro ponto a definir é: quanto tenho disponível para atacar o mercado?
QUAIS AS NECESSIDADES DA EQUIPA?
Osegundo passo a ter em conta é a definição das necessidades da equipa. Qualquer treinador no mundo nunca irá estar satisfeito com os jogadores que terá à disposição, porque existem sempre posições que necessitam de ser reforçadas. Para se ter sucesso é fundamental enquadrar o valor do investimento disponível nas contratações que se pretendem efetuar. Como os recursos são escassos a definição de prioridades será fundamental. A contratação de Gyokeres é o que melhor exemplifica este passo. O Sporting tem necessidade de reforçar várias posições - lateral-direito, médios e avançado. Após ter definido quanto iria gastar no mercado, definiu os alvos a atacar, começando por aquele que a estrutura considerou mais importante - avançado. Percebemos que dentro da liquidez disponível para abordar o mercado, seria na posição de ponta de lança que o Sporting iria apostar as suas fichas. E assim foi. A indefinição sobre restantes posições do campo que necessitam de ser preenchidas teve a ver com a incerteza em torno do valor necessário para fechar a contratação de Gyokeres. Fechada esta operação, o Sporting sabe qual o valor que lhe resta para acrescentar valor ao plantel.
Gyokeres já custou 22 milhões ao Sporting e pode chegar aos 26
ENCONTRAR O PERFIL PRETENDIDO
D EFINIDO o investimento e as necessidades da equipa, o terceiro passo consiste na procura de jogadores que tenham o perfil pretendido por toda a estrutura - clube e treinador. A definição das características do jogador, o seu estatuto, o seu histórico, a sua situação contratual, a sua motivação, a idade e a personalidade são critérios que são analisados ao pormenor. Para um treinador é importante ter um jogador com características diferenciadoras que, em teoria, encaixe na sua forma de jogar. Há outro fator, que passa ao lado de analises e de avaliações técnico táticas e que tem a ver com a forma como os novos elementos irão interagir com o grupo e o seu grau de compromisso. Para um treinador e uma estrutura é fundamental trazer qualidade mas também compromisso e dedicação.
DEFINIÇÃO DO PREÇO MÁXIMO E CUSTO ANUAL COM ATLETA
Apartir do momento em que se definem os três critérios anteriores, passa-se à ação. Definir prioridades e ativos que encaixem nas características pretendidas. É importante ter várias alternativas por posição, de forma a que os clubes possam ter margem para negociar e estarem precavidos para eventuais insucessos negociais. A conquista do jogador será feita pela apresentação do projeto, a margem de progressão que pode ter, a visibilidade, os títulos pelos quais irá lutar e a valorização que irá beneficiar. Como em Portugal não temos uma liga competitiva nem a capacidade financeira de outros campeonatos, temos de nos valorizar pela forma como conseguimos desenvolver talento, e potenciá-lo com outro estatuto para equipas de outra dimensão competitiva. O último passo será a negociação com o clube e com os representantes do jogador. A definição do preço final e de qual o valor que um clube está disposto a pagar depende de algumas variáveis importantes: o contexto financeiro e a liquidez existente para poder ir ao mercado; a importância que é atribuída àquela posição; a procura que o alvo pretendido tem no mercado; as alternativas existentes no mercado com características similares; o custo de oportunidade de comprar aquele jogador àquele preço.
FACTUAL VS. REAL
Écom frequência que ouvimos que determinado jogador é caro ou barato. De uma forma factual, por exemplo, o que podemos dizer é que Gyokeres é o jogador que custou mais dinheiro de sempre ao Sporting e que Jurásek é o lateral que implicou maior investimento de sempre do Benfica. Contudo, isto é diferente de dizer que estes dois jogadores são caros, porque a definição de caro ou barato define-se no rendimento do jogador. Alias, se olharmos para o passado recente, Darwin Núñes quando foi contratado foi o jogador que teve o maior custo de sempre no Benfica. A questão que devemos colocar é: Darwin foi caro? A resposta é não, por dois motivos. O primeiro, porque deu rendimento desportivo e correspondeu às expectativas. O segundo motivo porque deu rendimento financeiro. Em sentido contrário, Meité, Sotiris, Draxler, entre outros, foram jogadores mais baratos mas que se converteram em ativos muito caros porque não deram nem rendimento desportivo, nem financeiro. Assim sendo, devemos olhar para este ponto de duas formas distintas: a factual que nos indica qual o maior investimento de sempre num jogador e a real, que se pode medir pela capacidade que esse jogador tem em acrescentar valor e qualidade à equipa. No limite será a performance dos jogadores a definirem se foram boas ou más opções e, em consequência, se foram jogadores caros ou baratos.
A VALORIZAR
Joaquim Milheiro. A seleção de sub-19 está na final do europeu da categoria. O que mais tem impressionado é a alegria, confiança, união, personalidade e qualidade que este conjunto de jogadores demonstra no relvado. São tão importantes os que são titulares como os que saltam do banco para acrescentar valor. Portugal, com o passar da competição, ganhou o estatuto de favorito, na final de hoje, frente a Itália.
A DESVALORIZAR
B-SAD ou Cova da Piedade SAD. O trajeto da B-SAD no futebol profissional não deixa boas memórias. Olhando para trás, o máximo que posso concluir é que a B-SAD sempre teve uma gestão pouco transparente e nunca se preocupou com os adeptos que são a génese do futebol. A proibição de inscrição na Liga 3 acaba por ser mais um episódio de uma história com um final infeliz.